
A eleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) em 2026 entra em sua reta final. No Amazonas, foram registrados 292 candidatos a deputado estadual para disputar as 24 cadeiras em jogo.
Nesta reta final, uma pergunta central se coloca para partidos, federações e candidatos: qual deverá ser o tamanho da votação necessária para transformar desempenho eleitoral em cadeira? E quais candidatos poderão ocupar as 24 vagas da Assembleia Legislativa?
Nas eleições proporcionais, entretanto, não basta observar apenas a votação individual dos candidatos. O sistema considera a votação obtida pelos partidos e federações, o quociente eleitoral, o quociente partidário e a distribuição das vagas remanescentes pelo cálculo das médias.
O cenário possível
A eleição de 2026 parte de duas bases eleitorais recentes: as eleições de 2022 e de 2024.
Em 2022, os principais candidatos apresentaram seus resultados eleitorais e demonstraram diferentes níveis de força política. Já em 2024, a eleição municipal mostrou novas configurações de força política no Amazonas, especialmente em Manaus, além de revelar o desempenho de grupos e lideranças que poderão influenciar a disputa proporcional de 2026.
A disputa pelas 24 cadeiras deverá ser determinada pela combinação de voto individual, força da chapa, distribuição territorial dos votos, quociente eleitoral e distribuição das vagas remanescentes.
Para 2026, o crescimento do eleitorado adiciona uma nova variável ao cálculo. Considerando os números utilizados nesta simulação, o eleitorado amazonense passou de 2.643.487 eleitores em 2022 para 2.801.182 em 2026, crescimento de aproximadamente 5,97%.
Considerando a votação de 2022 como base e aplicando esse mesmo percentual de crescimento aos votos válidos, o quociente eleitoral para deputado estadual poderia chegar a aproximadamente 86,9 mil votos em 2026.
É importante deixar claro que esse número é uma estimativa para fins de simulação. O quociente eleitoral definitivo somente será conhecido após a apuração dos votos válidos de 2026, pois ele corresponde à divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em disputa.
Com um QE estimado em 86,9 mil votos, alguns parâmetros da disputa poderiam ser aproximadamente:
• Quociente eleitoral (QE): 86,9 mil votos;
• 80% do QE: 69,5 mil votos;
• 20% do QE: 17,4 mil votos;
• 10% do QE: 8,7 mil votos.
O ponto importante é separar as cadeiras obtidas diretamente pelo quociente partidário das vagas conquistadas posteriormente pela distribuição das sobras por média.
Pelas regras atuais, para a primeira etapa de distribuição das sobras, o partido ou federação precisa alcançar pelo menos 80% do quociente eleitoral e ter, em sua lista, candidato que alcance pelo menos 20% do QE. As vagas são distribuídas pelo cálculo das maiores médias. Depois de esgotadas as legendas que atendem a esses requisitos, as cadeiras remanescentes passam a ser distribuídas entre todos os partidos e federações que participaram da eleição, conforme as regras vigentes para 2026.
Já para ocupar as vagas obtidas pelo quociente partidário, permanece a exigência de votação nominal mínima de 10% do quociente eleitoral.
O que os dados permitem fazer neste momento é algo diferente: medir o tamanho da disputa, comparar estruturas eleitorais e construir cenários de votação. O resultado definitivo, naturalmente, somente será conhecido após a totalização dos votos.
DESENHO DO MAPA DA DISPUTA DAS 24 CADEIRAS DA ALEAM EM 2026
Este é um exercício de simulação eleitoral, sem validade científica e sem pretensão de substituir uma pesquisa eleitoral registrada. A análise considera os resultados das eleições de 2022, os resultados das eleições municipais de 2024 — especialmente o desempenho de vereadores de Manaus que ultrapassaram a marca de 10 mil votos — e o desempenho de ex-prefeitos que tiveram votação expressiva nas eleições de 2020 e conseguiram eleger sucessores em 2024.
A partir dessas referências, arriscamos construir uma projeção da possível distribuição das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa entre partidos e federações, apontando também nomes que, dentro deste cenário hipotético, aparecem na disputa por essas vagas.
UNIÃO BRASIL
Na simulação, o União Brasil poderá formar uma das maiores bancadas, alcançando até cinco cadeiras após a distribuição das vagas remanescentes.
Entre os nomes considerados no cenário estão George Lins, Adjunto Afonso, Carlinhos Bessa, Dr. Gomes e Mário César Filho.
Também aparecem no campo de disputa Aldenor Lima, Marco Castilho e Wanderley Monteiro, que poderão entrar na briga pelas vagas dependendo do desempenho individual e da votação total da legenda.
MDB
O MDB aparece no cenário com possibilidade de conquistar quatro cadeiras.
Entre os nomes considerados estão os deputados Cristiano D’Angelo e Thiago Abrahim.
A disputa pelas demais vagas envolveria Matheus Garcia, Kennedy Marques Protetor, Luana Ferraz, Jair Souto e Donmarques, dependendo do desempenho da chapa e da votação individual de cada candidato.
PSD
O PSD aparece com possibilidade de três cadeiras.
Os nomes considerados como principais referências da chapa são os atuais deputados Rozenha, Wilker Barreto e Mayra Dias.
Também aparecem no campo de disputa Bosco Saraiva, Emanoel Pinheiro e Eurico Tavares, que poderiam entrar na disputa caso alcancem votação suficiente para superar os demais candidatos da própria legenda.
AVANTE
O Avante poderá conquistar até três cadeiras neste cenário.
Os nomes destacados são Abdala Fraxe, Daniel Almeida e David Reis.
No campo de disputa aparecem ainda Marcelo Palhano, Elan Alencar e Eduardo Alfaia, que poderão disputar as vagas conforme o desempenho individual e o total de votos da chapa.
PL
O PL poderá trabalhar pela recondução dos deputados Delegado Péricles, Cabo Maciel e Débora Menezes.
Também aparecem no cenário Capitão Carpê e Willace Souza, que poderão disputar uma das cadeiras caso apresentem votação suficiente dentro da legenda.
REPUBLICANOS
O Republicanos poderá reconduzir os deputados João Luiz e Dan Câmara.
Na disputa por vaga aparecem Rodrigo Guedes e Coronel Amadeu, dependendo do desempenho da chapa e da superação dos candidatos acima.
PODEMOS
O Podemos aparece com possibilidade de conquistar duas cadeiras.
A primeira vaga teria como principal referência Felipe Souza.
A segunda vaga seria disputada por Yonara Lins, Glênio Seixas, Coronel Bonates e Tiago Falcão.
Também poderá entrar nesse cenário Sargento Loyola, por nunca ter sido testado e caso apresente votação suficiente para alterar a composição interna da chapa.
FEDERAÇÃO PT/PV/PCdoB
A Federação PT/PV/PCdoB aparece com possibilidade de conquistar duas cadeiras.
Entre os nomes considerados estão o atual deputado Sinésio Campos e o vereador José Ricardo.
Também entram no campo de disputa os ex-prefeitos Curubão e Subugo, que poderão apresentar força eleitoral especialmente a partir de votos conquistados no interior do Estado.
AGIR
O Agir aparece no cenário com possibilidade de conquistar uma cadeira.
A disputa interna pela vaga poderá envolver Janjão, Jander Lobato e Tony Medeiros, dependendo da votação total da legenda e do desempenho individual dos candidatos.
PDT
O PDT, considerando a composição da chapa e o histórico de votação de seus candidatos, poderá enfrentar dificuldades para alcançar o quociente eleitoral na primeira distribuição de cadeiras.
Entretanto, caso atinja pelo menos 80% do quociente eleitoral e tenha candidato com votação nominal mínima exigida, poderá disputar uma das vagas remanescentes na etapa das médias. Nessa hipótese o nome mais forte é de Luiz Castro.
Nesse cenário, uma eventual cadeira do PDT poderia alterar a composição projetada e retirar uma vaga de outra legenda.
REDE, PSOL, PSTU E NOVO
Neste exercício de projeção, Rede, PSOL, PSTU e Novo aparecem com menor possibilidade de conquistar cadeiras, principalmente em razão da composição das chapas e do histórico de votação considerado para esta simulação.
Isso, contudo, não significa que a disputa esteja definida. Alterações na composição das chapas, migração de lideranças, entrada de novos candidatos competitivos e mudanças na distribuição territorial dos votos podem modificar significativamente o resultado final.
Uma disputa aberta até a totalização
A principal conclusão deste exercício é que a eleição para a ALEAM em 2026 não será determinada apenas pela votação individual dos candidatos.
A força da legenda ou federação, a capacidade de formação das chapas, a distribuição territorial dos votos e, sobretudo, o desempenho coletivo de cada grupo serão determinantes para transformar votos em cadeiras.
Por isso, a projeção apresentada deve ser entendida como um mapa possível da disputa, construído a partir de resultados anteriores e de hipóteses para 2026.
A fotografia definitiva, porém, somente será conhecida quando as urnas forem apuradas e o Tribunal Regional Eleitoral realizar os cálculos oficiais do quociente eleitoral, do quociente partidário e da distribuição das vagas remanescentes.
A eleição ainda poderá produzir mudanças importantes até a votação. Candidaturas podem crescer ou perder força, chapas podem apresentar desempenhos diferentes do esperado e uma diferença relativamente pequena na votação de determinadas legendas poderá alterar a distribuição das 24 cadeiras.
Em uma eleição proporcional, portanto, cada voto individual importa, mas o tamanho da chapa pode ser tão decisivo quanto a votação de seus principais candidatos.
Altemir Viana é sociólogo e consultor político.




