Alunas surdas defendem trabalho sobre acessibilidade no Ifam

Foto: Rodrigo Fonseca

Tamires e Gleiciane são as primeiras alunas surdas do curso técnico em Segurança do Trabalho a fazer defesa do trabalho em Libras.

Pela primeira vez desde sua criação, o curso técnico em Segurança do Trabalho, ofertado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), realizou a primeira defesa de trabalho na Língua Brasileira de Sinais (Libras). As responsáveis por esse marco na instituição foram as alunas surdas Tamires de Castro Barrocas e Gleiciane das Neves Pedrosa.

A defesa ocorreu na tarde da última terça-feira (02/07), no Campus Manaus Centro (CMC), onde é ofertado o curso desde a década de 1990, que tem como finalidade a formação de profissionais para atuação no desenvolvimento de ações educativas, investigação, análise de acidentes e recomendação de medidas de prevenção e controle.

O trabalho defendido pelas alunas teve a orientação do professor Domingos Sávio Martins e abordou as limitações e potencialidades de acessibilidade para surdos no Ifam, a partir da percepção dos estudantes com deficiência auditiva no Instituto.

Foto: Rodrigo Fonseca

De acordo com Martins, o trabalho de pesquisa defende que, nos ambientes escolares, a melhoria da comunicação entre ouvintes e surdos pode ampliar a condição de segurança de todas as pessoas que convivem no espaço acadêmico. “Importante ressaltar que, quando se pesquisa as potencialidades relativas à acessibilidade dos surdos, o trabalho mostra que o Ifam está no caminho, construindo ações importantes para a inclusão dessa população. Intérpretes, Napne (Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Especiais) e Apoema (Núcleo de Tecnologia Assistiva) são exemplos”, explica o orientador da pesquisa.

O orientador afirma ainda que a inclusão das pessoas surdas no ambiente escolar é importante no processo de desenvolvimento humano e considera que o preconceito é o principal fator de limitação, acima da deficiência. “O fato de estar na escola, ter a oportunidade de aprender e interagir com outras pessoas eleva a autoestima e fortalece a identidade, tanto a individual quanto a coletiva dos surdos. É uma oportunidade para o acesso ao mercado de trabalho, contribuindo para a autonomia”, frisa o professor.

Foto: Rodrigo Fonseca

Acessibilidade e inclusão social

Desde sua criação, em 2008, o Ifam tem a acessibilidade e a inclusão social como valores institucionais, na busca da consolidação da instituição como referência nacional na promoção de educação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Para o reitor do Ifam, professor Antonio Venâncio Castelo Branco, o Instituto tem buscado acompanhar e oferecer todos os recursos para a total integração dos alunos. “Inclusão não significa somente inserir os estudantes com necessidades especiais no processo de aprendizagem. Temos a preocupação em preparar a instituição para receber as pessoas com deficiência, providenciando a adaptação de currículo conforme a necessidade de cada aluno”, destaca.

Segundo a pró-reitora de Ensino, professora Lívia de Souza, o instituto é sensível a essa necessidade, pois é capaz de receber esses alunos. Entretanto, os campi não têm mão de obra capacitada. Tal motivo levou o Ifam a promover um curso de capacitação em Língua Brasileira de Sinais para servidores Técnicos Administrativos em Educação (TAEs) e docentes, no Campus Tefé, a fim de possibilitar um atendimento mais eficaz aos alunos e, consequentemente, combater a evasão.

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