Bolsonaro no céu de brigadeiro – por Carlos Santiago

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Bolsonaro navega em céu de brigadeiro. Pesquisas indicam que a maioria do povo brasileiro não acha que ele tem culpa pela quantidade de mortes causadas pela Covid-19. Se a eleição presidencial fosse hoje, ele venceria todos os seus adversários. Além disso, os seus candidatos que disputam as presidências do Senado e da Câmara Federal são favoritos.

E mais: emplacou no Supremo Tribunal Federal – STF um ministro que já votou a favor do desmonte das ações judiciais de combate à corrupção, e favorável aos amigos do presidente. Pois bem, quando é para fazer a velha política, a política tradicional, Bolsonaro se mostra bem mais capaz que os outros, o que vem lhe rendendo apoio popular.

A Covid-19 já matou mais de 180 mil pessoas no Brasil. Num clima de muito medo, pouca ação conjunta dos governos, muito conflito político entre os governantes, frases e atitudes dantescas do presidente, além de corrupções e o caos no sistema de saúde pública, no último domingo (13), o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa em que 52% dos entrevistados isentam Bolsonaro de culpa por mortes na pandemia, 38% acham que ele é um dos culpados, somente 8% consideram como principal culpado.

A pesquisa aponta, também, que 37% aprova o governo, um índice que se mantem estável nos últimos quatro meses.

Pesquisas eleitorais para presidência da República dão vantagens a Jair Bolsonaro. A do Instituto Paraná, do dia 04 de dezembro, apresentava três cenários prováveis para as eleições de 2022. O presidente venceria em todos os cenários com percentual positivo de escolha, já no primeiro turno, varia de 31% a 35%, praticamente o dobro dos demais postulantes.

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado.

No caso de manutenção da inelegibilidade do ex-presidente Lula, Bolsonaro teria o triplo de intenções de votos sobre os demais concorrentes, como Sérgio Moro, Ciro Gomes, Fernando Haddad, Luciano Huck, Guilherme Boulos, João Dória e João Amoêdo. Na pesquisa da revista Exame de dezembro (04), embora com índice de 28%, na corrida presidencial, ele segue liderando em todas as regiões do País.

Para as eleições das presidências das Casas Legislativas do Congresso Nacional, Jair Bolsonaro trabalha com dois nomes favoritos. Deputado Arthur Lira (PP) e o senador Rogério Pacheco (DEM). Ambos compõem um grande arco de aliança com partidos, deputados e senadores de ideologias e de posições políticas diversas. Ademais, a gestão Rodrigo Maia (DEM) chega ao fim e deixa engavetados dezenas de pedidos de Impeachment.

O Ministro Kassio Nunes do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado por Bolsonaro, e, recentemente empossado, já se uniu ao ministro Gilmar Mendes nos julgamentos de ações de combate à corrupção, causando derrotas à Lava Jato.

No julgamento que proibiu a reeleição de Rodrigo Maia e de Davi Alcolumbre, o ministro Kassio votou contra a reeleição de Maia e a favor do atual presidente do Senado, posição defendida por Bolsonaro.

Ele Pediu vistas e adiou votação de processo que acusa um deputado federal amazonense de “rachadinhas”, em caso similar ao do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

O Brasil não vai bem. Crises econômicas e sociais. Milhares de pessoas mortas pela Covid-19, a classe política desacreditada, as instituições públicas sem credibilidade, o País reduziu relações comerciais e diplomáticas, fauna e flora queimam, mas o presidente vai bem, continua com apoio popular.

Enquanto o presidente tem céu de brigadeiro, as oposições não conseguem sequer manter diálogos. Sem programa e estratégia política e de comunicação, além da falta de uma leitura real dos sentimentos e necessidades dos brasileiros, as oposições caminham hoje para uma nova derrota.

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Política e Advogado

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