
Lideranças do Centrão na Câmara dos Deputados articulam uma proposta para substituir o atual sistema proporcional pelo voto distrital misto na eleição de deputados federais, estaduais e vereadores. A iniciativa é liderada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reúne partidos como PP, PSD, União Brasil, Podemos e PSB.
O objetivo é aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda este ano. O cronograma prevê uma transição nas eleições de 2030 e a implantação completa do modelo em 2034.
A mudança não afetaria a eleição para o Senado. Pelo sistema atual, as vagas são distribuídas conforme a votação total dos partidos e federações. Os votos de todos os candidatos da mesma legenda são somados, e as cadeiras ficam com os mais votados, respeitados os critérios mínimos individuais. Assim, candidatos com votação expressiva podem ajudar outros integrantes do partido a conquistar vagas.
No modelo proposto, metade das cadeiras seria ocupada por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria preenchida por listas fechadas definidas pelos partidos. Cada eleitor teria dois votos: um para escolher o representante de sua região e outro para a legenda.
Defensores afirmam que o sistema aproximaria os parlamentares das comunidades e reduziria os custos das campanhas. Críticos, porém, apontam riscos à representação de minorias e à concentração de poder nas cúpulas partidárias, responsáveis pela ordem dos nomes nas listas. Também há preocupação com possíveis manipulações na divisão dos distritos para favorecer candidaturas.
A proposta ainda depende de discussão e aprovação do Congresso Nacional. Até lá, permanece em vigor o sistema proporcional.




