Citações – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Hoje resolvi lembrar de alguns e memoráveis filósofos que nos deixaram lições sobre como admirar exemplos, e poderia citar outros vários que estarão incrustados neste artigo, mas basta se não o leitor ficará entediado, embora as lições sejam para sempre. Essa pandemia faz com que repensemos muitas coisas e já escrevi sobre ressignificância, mas evidente que independente de qualquer coisa há de ter bons exemplos, para que o homem possa se espelhar, e afirmo não é dizendo que a cloroquina é o remédio para a cura da Covid que se dá bons exemplos, pelo contrário. Vamos acabar com a violência. Ao longo da vida, o homem, seja ele simples ou com poderes nas mãos, deveria sempre se espelhar nos bons exemplos para projetar o que fazer adiante, até os últimos dias por aqui.

Mas não é bem assim. “A grande tragédia do mundo é que não se cultiva a memória e, portanto, esquece-se dos mestres”, disse Martin Heidegger, filósofo alemão (1889-1976). Melhor ainda: “Feliz aquele que chegou a conhecer as causas das coisas”, sentenciou Virgílio, poeta romano, autor de A Eneida (70 a.C.-15 a.C.). O orgulho, a soberba e desonestidade campeiam por aí; o bom senso e o caráter ilibado, em contrapartida, rareiam. Napoleão Bonaparte, general francês (1769-1821), bradou certa vez: “É fácil determo-nos quando subimos; difícil, quando descemos”. Nada mais atual, pelo que vem ocorrendo.

O que está faltando a muitos são ideias, boas e exequíveis. A mesmice está saturando o ambiente, deveras malcheiroso; há uma repetição enfadonha de atos políticos, administrativos e pessoais daqueles que figuram como mandantes da vida da gente. Se “a ausência de alternativas clarifica maravilhosamente a mente, como defendia Henry Kissinger, ex-secretário de Estado norte-americano (Prêmio Nobel da Paz de 1973), “o problema com as boas ideias é que elas acabam dando muito trabalho”, diz Peter Drucker, escritor e consultor administrativo norte-americano. “As ideias são como pulgas, saltam de uns para outros, mas não mordem a todos”, relevava George Bernard Shaw, crítico e dramaturgo inglês (1856-1950).

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

O mundo vive aos sobressaltos: terror, fome, concentração de renda absurda, imperialismo do Norte e guerras inócuas, ali e acolá, para deleite de alguns dos donos das chaves dos sete ou oito cofres que comandam a humanidade. “Olho por olho, e o mundo acabará cego”, Mohandas Karamchad Gandhi, o Mahatma, líder da independência da Índia (1869-1948). O Brasil pulga escândalos, trapaças, fraudes e corrupção. Lembremos o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): “Quem quer agradar a todos não agrada a ninguém”. Nada mais adequado à nossa realidade. Pena. “Se um homem, superior abandona a virtude, como pode fazer jus a esse nome?”, disse Confúcio (mestre chinês, nascido Kung-fu-tzu, 551-479 a.C.). A vaidade de muito está atropelando a sociedade no nosso penoso dia-a-dia. Muita gente a tirar partido do que tem ao alcance das mãos. A classe política, então, dá um banho. “Quem sou eu perto do universo?”, dizia sempre Ludwig van Beethoven, compositor alemão (1770-1827). Há momentos em que a humildade e o recolhimento constroem mais do que os espelhos de Narciso. Como frisava Pablo Picasso, pintor espanhol (1881-1973): “Não se pode fazer nada sem a solidão”.

A liberdade é sempre questionada: defendida constantemente pela maioria fraca, mas violentada, muitas vezes, pela minoria forte. Como expressava Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos (1909-1865), “o homem nunca encontrou uma definição para a palavra liberdade”. Alguns mandatários e muitos que se autoproclamam líderes políticos acham-se donos da verdade, com direito a decretar os rumos da vida dos outros. “É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe”, nos ensina Epíteto, filósofo grego (55-135). Em tempos de muitas afirmações, mas também de um mar de mentiras a nos afogar em um porre homérico, é preciso a gente recordar a frase de Henry Wadsworth Longfellow, poeta norte-americano (1807-1882): “No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas, a simplicidade é a suprema virtude”.

Mas “a realidade é irracional”, como defendia Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão (1770-1831), e o que assistimos e vivemos é uma torrente de trombadas no que deveria ser o certo: governantes limpos e capazes, imbuídos de vontade para defender o interesse coletivo, mesmo que não queiram trabalhar com aquela esperada abnegação. Bertrand Russell, filósofo inglês (1862-1970), disse: “A sábia utilização do ócio é um produto da civilização e da educação”. À maioria dos brasileiros, desprovidos de benesses públicas, de emprego, saúde, educação, infraestrutura e afins, um recado de Victor Hugo (1802-1885), escritor, poeta e dramaturgo francês (Os miseráveis, …): “Os grandes são grandes porque talvez os seus súditos estejam de joelhos”.

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