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CNI: Indústria na agenda dos presidenciáveis – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva - Foto: Divulgação

Desde 1994, antes das eleições gerais, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta à sociedade e aos candidatos sugestões para melhorar o desempenho da economia. Em 2026, a instituição elaborou o documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”. O documento foi entregue aos pré-candidatos na segunda-feira, 22, em ato realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a presença de mais de mil representantes do setor industrial. Durante o evento, os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentaram suas plataformas e o compromisso de dialogar diretamente com a indústria sobre prioridades para o crescimento sustentável, a inovação e a competitividade nacional.

O programa quadro “Construindo o Brasil 2050″ configura, de fato e abrangentemente, uma agenda concreta e estruturada para retomar o crescimento sustentado do país. Mais do que um diagnóstico, salienta o texto, “é uma proposta de convergência objetivando transformar a política industrial em política de Estado, perene e continuamente aprimorada, à semelhança do que o Plano Safra representou para o agronegócio brasileiro”. O trabalho se organiza em três grandes frentes interligadas entre si: uma agenda macroeconômica para o crescimento sustentado; políticas fundamentais de desenvolvimento produtivo — incluindo política industrial, comércio exterior, inovação, sustentabilidade, educação e desenvolvimento regional; uma agenda microeconômica de redução do Custo Brasil, que enfrenta temas decisivos como energia, transporte, tributação, financiamento, modernização trabalhista, ambiente regulatório e segurança jurídica. Em suma, “um mapa ligando a competitividade da indústria a ganhos de produtividade, inovação e investimento privado”.


Segundo o presidente da CNI, Antonio Ricardo Alvarez Alban, deve-se observar que, ao apresentar propostas técnicas e apartidárias a todos os presidenciáveis, “a Confederação eleva o debate público e oferece ao próximo governo um ponto de partida sólido para decisões de longo prazo”. Alban mencionou a satisfação de ver na ocasião representantes das indústrias e instituições do Amazonas presentes ao evento, levando a voz do nosso estado a essa construção nacional. Por conseguinte, salientou, “reposicionar a indústria no centro do projeto de desenvolvimento do país é, de fato, um caminho inevitável para um Brasil mais inovador, sustentável e socialmente justo — e o Amazonas tem muito a contribuir nessa agenda”, ressaltou.

As propostas da CNI aos presidenciáveis observam ainda que, na conjuntura desfavorável que assola o país, “a resiliência e a capacidade de adaptação de economias globalizadas, como a do Brasil, têm sido testadas de forma permanente”. Por conseguinte, “em resposta às adversidades, os governos de grandes economias se voltaram para a adoção de políticas industriais estruturadas e abrangentes, com a indústria sendo posicionada no centro dos planos nacionais de desenvolvimento econômico, tecnológico e sustentável. O Brasil, para superar os percalços macroeconômicos, políticos, sociais, ambientais e infraestruturais com os quais há décadas se debate, precisa seguir o mesmo caminho a partir de 2027”.

O presidente da FIEAM, Antonio Silva, avalia que “o documento da CNI espelha expectativas positivas do setor produtivo brasileiro, traçando roteiro seguro para a adoção de uma estratégia de desenvolvimento nacional coesa, ambiciosa e de longo prazo, sedimentando um futuro melhor para as próximas gerações”. Com as propostas apresentadas pela CNI, enfatiza, “a indústria brasileira manifestamente contribui para a formulação dos planos de governo a ser apresentados pelos presidenciáveis, colaborando com o objetivo de estabelecer, no próximo período da Presidência da República – assim como na legislatura que se avizinha no Congresso Nacional –, as bases adequadas para que o Brasil possa romper amarras do atraso e iniciar nova jornada de longo e consistente crescimento até 2050”.

Manaus, 29 de junho de 2026.

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