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Consignados de militares levam R$ 137 milhões ao Banco Master

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

As Forças Armadas repassaram R$ 137,3 milhões ao Banco Master entre 2020 e 2026 por meio de empréstimos consignados contratados por militares. O valor representa 12,6% do total recebido pelo banco de órgãos federais no período.

Os recursos não vieram do orçamento militar, mas de descontos nos contracheques de militares que contrataram os empréstimos. No total, os repasses federais ao banco somaram R$ 1 bilhão, segundo a Folha de S.Paulo e o g1.


O Exército aparece como o segundo maior responsável por repasses ao banco, atrás apenas da Previdência Social.

Dados do Portal da Transparência indicam que o consignado não era explorado pelo banco antes da gestão de Daniel Vorcaro, que assumiu o controle em 2019. Em 2020, os repasses foram de R$ 3 milhões; em 2021, saltaram 1.253%, chegando a R$ 43,4 milhões, e seguiram crescendo até R$ 404,8 milhões em 2025, ano da liquidação do banco.

Diferentemente da RioPrevidência, que é investigada, não há suspeitas de irregularidade nos repasses das Forças Armadas, que atuam apenas como intermediárias entre militares e banco.

Após a liquidação do Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, o Exército rescindiu o credenciamento para novos empréstimos. Ainda assim, os pagamentos de contratos ativos continuam — R$ 4,3 milhões foram repassados em 2026.

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que repassou ao Master em 2024 e 2025, apenas valores referentes a crédito consignado.

“Após a decretação da liquidação extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados de domicílio bancário da entidade liquidante, não foram realizadas novas transferências”, afirmou.

O credenciamento previa concessão de empréstimos consignados, cartões de crédito e oferta de benefícios, cabendo aos militares optarem pela adesão, cita a nota.

“A instituição [Master] atendeu integralmente aos requisitos previstos no edital.” A Aeronáutica não tem custos nesse tipo de operação, que envolve 234 entidades credenciadas, conforme a Força.

Em nota, a Marinha afirmou que “não houve quaisquer repasses de recursos públicos ao Banco Master”.

“Adicionalmente, o Banco Master nunca foi credenciado por meio de edital público da Marinha para consignar empréstimos privados para seus militares e pensionistas”, disse.

Segundo a Marinha, os valores mencionados na reportagem são oriundos de consignações em folha de pagamento relativas a empréstimos contratados, facultativamente, por servidores civis.

“Esses empréstimos particulares se destinam ao pagamento de obrigações privadas assumidas pelos próprios interessados e não se confundem com verbas orçamentárias, aportes financeiros da Administração Naval ou transferência de recursos públicos da União à instituição financeira”, afirma a nota.

“Nessas operações, a Marinha do Brasil atua exclusivamente como interveniente, uma vez que é responsável pelo pagamento da folha, não só dos militares, mas também dos servidores civis da Força, realizando o desconto autorizado em contracheque e o respectivo repasse à entidade consignatária, nos termos da regulamentação aplicável.”

* Com informações do G1

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