
O abastecimento de água no mundo entrou em colapso após décadas de uso excessivo, poluição e impactos das mudanças climáticas.
O alerta consta no relatório “Falência Hídrica Global”, divulgado pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas.
Segundo o estudo, muitos sistemas hídricos já ultrapassaram o ponto de recuperação: a retirada de água é maior do que a reposição natural, tornando aquíferos, lagos e zonas úmidas irrecuperáveis. Essas áreas são responsáveis por quase metade da produção mundial de alimentos.
O diretor do instituto, Kaveh Madani, afirmou que tratar o problema como uma crise temporária só aprofunda os danos ambientais e sociais, aumentando conflitos. Para ele, a falência hídrica é uma questão de justiça e segurança global.
Os dados mostram que metade dos grandes lagos do mundo perdeu água desde os anos 1990, 70% dos principais aquíferos estão em declínio e, em cinco décadas, foram destruídos 410 milhões de hectares de zonas úmidas — quase o tamanho da União Europeia.
Além da escassez, a qualidade da água também piorou devido à poluição agrícola, esgoto, mineração, plásticos e resíduos químicos, tornando rios e lagos cada vez mais tóxicos e difíceis de reutilizar.
O relatório defende que os governos entrem numa fase de “gestão da falência”, com foco em reduzir danos, transformar setores que consomem muita água e proteger comunidades vulneráveis.
O documento foi divulgado antes de uma reunião internacional em Dacar, que preparará a Conferência da ONU sobre a Água de 2026.
Fonte: news.un.org




