
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras alertou para o agravamento da crise sanitária na província de Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo. Segundo a entidade, a combinação entre conflitos armados, insegurança e a retirada gradual de financiamentos internacionais ameaça provocar o colapso do sistema de saúde na região.
Um dos principais impactos foi causado pela suspensão do apoio financeiro do Banco Mundial ao Projeto Multissetorial de Nutrição e Saúde (PMNS), afetando diretamente unidades hospitalares e centros de atendimento em Minova, no território de Kalehe. A interrupção do financiamento aumentou as dificuldades de acesso a serviços médicos básicos, principalmente para mulheres grávidas, recém-nascidos e crianças.
De acordo com a organização, hospitais e postos de saúde enfrentam falta de medicamentos, vacinas e insumos essenciais para tratamentos de doenças como malária, HIV, tuberculose e desnutrição. Além disso, surtos de sarampo foram registrados em grande parte das zonas de saúde da província, agravando ainda mais a situação humanitária.
No Hospital Geral de Referência de Minova, pacientes passaram a pagar por procedimentos que antes eram subsidiados. Uma cesariana pode custar até 100 dólares, enquanto o atendimento neonatal chega a 50 dólares, valores considerados inacessíveis para muitas famílias da região. Como consequência, mulheres têm deixado de procurar atendimento médico ou permanecem internadas por dias sem conseguir quitar despesas hospitalares.
A pressão sobre as poucas unidades que ainda oferecem atendimento gratuito também aumentou. O Hospital de Numbi, apoiado por Médicos Sem Fronteiras, opera acima da capacidade, com superlotação na maternidade e aumento significativo da demanda por atendimentos obstétricos e neonatais.
Além da crise na saúde, a região enfrenta altos índices de violência sexual, deslocamentos populacionais, insegurança alimentar e riscos de epidemias como cólera e mpox. Diante do cenário, a organização fez um apelo urgente à comunidade internacional para ampliar o financiamento humanitário e garantir a continuidade dos serviços essenciais de saúde.
Médicos Sem Fronteiras também pediu que autoridades e grupos envolvidos no conflito assegurem acesso humanitário seguro e sem restrições, permitindo que equipes médicas continuem atuando nas áreas mais afetadas do leste congolês.




