
A diretoria da ANS decide nesta sexta-feira (5) se rejeita o recurso da Hapvida e mantém a exigência de republicação do balanço que contabilizou R$ 900 milhões do Programa Desenrola antes da data legal.
Caso a operadora perca o recurso, terá de refazer todos os balanços anteriores ao fechamento obrigatório, inclusive os de 2024.”
Por unanimidade, a diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) rejeitou nesta sexta-feira (5/12) o recurso administrativo da Hapvida e manteve a determinação para que a operadora republique seu balanço financeiro de 2024.
A agência concluiu que a empresa contabilizou de forma antecipada cerca de R$ 900 milhões referentes ao Programa Desenrola, contrariando normas contábeis e marcos regulatórios do setor.

A decisão, considerada técnica e de alta relevância para o mercado, obriga a Hapvida a refazer e reapresentar seus demonstrativos financeiros, o que inclui não apenas o balanço contestado, mas possivelmente documentos anteriores ao fechamento legal exigido pela ANS, que só ocorreu no fim de julho de 2025.
Contabilidade antecipada e possível efeito dominó
O principal ponto contestado pela ANS foi a inclusão de ganhos fiscais estimados do Desenrola antes da data legalmente permitida. O entendimento da diretoria é que a prática inflou artificialmente o resultado da empresa, interferindo em indicadores de solvência e no cálculo de provisões obrigatórias.
Ao confirmar a irregularidade, a agência abre caminho para uma reanálise completa da situação financeira da operadora, que já enfrenta forte deterioração desde 2024.
Crise financeira se aprofunda
A Hapvida, que já foi avaliada em mais de R$ 110 bilhões no mercado, hoje vale menos de R$ 7 bilhões, segundo análises do setor. A empresa sofre com sinistralidade elevada, perda de caixa e dificuldade de honrar compromissos operacionais, o que acendeu alertas dentro da ANS sobre risco de descontinuidade assistencial.
A própria agência intensificou as investigações sobre os balanços da empresa a partir de 2024, diante do que classificou como “indícios de inconsistências relevantes” nas informações contábeis.
Analistas de grandes bancos também vêm rebaixando a perspectiva da companhia, apontando risco de “colapso estrutural” caso não haja recomposição urgente de caixa, revisão de contratos e corte profundo de despesas.
Impacto para beneficiários e para o mercado
Com milhões de usuários, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a Hapvida é considerada estratégica para o equilíbrio da saúde suplementar. Uma crise mais aguda da operadora pode gerar impacto direto:
no atendimento de beneficiários, com risco de filas, restrições ou descredenciamentos;
no sistema público, que pode sofrer sobrecarga caso haja perda de cobertura privada;
no mercado de saúde suplementar, já tensionado por custos elevados e alta judicialização.
Próximos passos da ANS
Com o recurso negado, a Hapvida deve republicar os balanços em prazo a ser definido pela Câmara Técnica da ANS. A agência também pode adotar medidas adicionais de supervisão, como:
- planos de ajuste econômico-financeiro;
- monitoramento especial;
- restrições a novos produtos;
- ou intervenção regulatória, caso o risco assistencial aumente.
Até o momento, a operadora não se manifestou sobre a decisão.




