
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não confirmou presença no debate presidencial da TV Globo, marcado para esta quinta-feira (1º).
“Se Lula for ao debate da Globo, neste dia 1º de outubro, terá de dar palanque para figuras menores, de ultradireita, que ficarão lá só para acusar e atacar”, avalia o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi.
O sociólogo diz que não vê nenhuma razão para Lula se expor a esse tipo de situação. “Ele apenas será desrespeitado por gente sem educação, sem preparo, sem propostas e sem adesão a valores democráticos”, diz
Lula na Globo
Em entrevista à CartaCapital, Coimbra avaliou que a participação de Lula poderia beneficiar principalmente adversários com menor projeção eleitoral, que teriam no debate uma oportunidade de confrontar diretamente o presidente e ampliar sua própria visibilidade.
Segundo o sociólogo, embora debates sejam, em tese, importantes para que candidatos sejam cobrados e apresentem suas propostas, a lógica eleitoral brasileira fez com que candidatos em posição competitiva passassem a avaliar com cautela esse tipo de exposição.
Na avaliação de Coimbra, candidatos que aparecem em situação mais favorável costumam medir se o benefício de participar compensa o risco de sofrer ataques e transformar o encontro em palco para adversários.
Além de Lula (13), foram convidados pela Globo os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). Até ontem (29/09), o presidente ainda não havia anunciado se compareceria.
Lula já deixou de participar de outros debates realizados nesta campanha, entre eles encontros promovidos por Band, SBT e Record.
Ausência em debates não é novidade
A reportagem lembra que a estratégia de evitar debates já foi adotada por candidatos em diferentes eleições presidenciais.
Em 1989, Fernando Collor, então líder nas pesquisas, não participou dos debates do primeiro turno. Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, candidato à reeleição, recusou os convites, e os debates acabaram cancelados.
O próprio Lula, em 2006, quando disputava a reeleição, não participou dos confrontos do primeiro turno, comparecendo apenas aos debates da segunda rodada contra Geraldo Alckmin.
O histórico reforça que a participação em debates costuma fazer parte do cálculo estratégico das campanhas, especialmente quando um candidato entende que sua presença pode oferecer mais espaço aos adversários do que benefícios à própria candidatura.
Fonte: CartaCapital




