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A “Defensora da Educação” em Novo Airão – por Garcia Neto

Redação
Escrito por Redação

Logo após o episódio lamentável de agressões ao empresário Frederico Júnior, no município de Novo Airão-AM, debrucei-me na leitura das diversas postagens pelas redes sociais, entre as mais interessantes a de uma professora se declarando “defensora da educação”, não poupou comentários ofensivos à reputação da pessoa de Vera Garrido Filha, rotulando-a de “mulher desequilibrada”.

Verinha, como é conhecida no meio social do município, é uma respeitada ativista política que opina criticamente os contextos social e econômico e seus posicionamentos incomodam àqueles políticos descompromissados com a causa pública.

A criticidade da professora me fez lembrar as lições de Aristóteles, até hoje considerado o grande defensor da instrução para a virtude. Neste sentido, o filósofo via na escola como o caminho ideal para a vida pública e o exercício da ética. Pode-se considerar este lógico como parâmetro para todas as demais profissões.

Professor Garcia Neto.

Poder-se-ia perceber nos comentários hostis dessa professora uma educadora que deixa claro seguir os princípios dogmáticos da “intelligentsia” radical airãoense, esquecendo-se que o respeito mútuo sempre deve ser o alicerce de toda relação, independente de quaisquer aspectos, como etnia, hierarquia, poder de decisão, nível social, idade, entre outros.

A “defensora da educação” é conhecida no meio educacional local pela sua prepotência e autoritarismo, aquela que age com grosseria sem se preocupar se pode estar magoando os outros. Seus comentários pelas redes sociais me chamou muito a atenção, o que me levou a fazer várias consultas a colegas professores e maioria deles foi unânime ao lembrar que “Verinha foi minha aluna, aliás, inteligente, raciocina com rapidez, muito proativa”.

Importante pontuar que a ação ativista de Verinha objetiva alcançar as mudanças sociais locais por meio de articulações nas bases sociais, mostrando ao eleitor menos esclarecido quem são os políticos que se eternizam no poder com o apoio desse conjunto social que ela chama de “massa podre”, numa alusão a canção de autoria de Candinho Jucá, em que ele retrata que a “massa” é o povão que não se preocupa com as conseqüências do voto impensado.

Sabe-se que a Internet facilitou o aprimoramento de softsware para smartphones, utilizados para troca de mensagens de texto instantaneamente, além de vídeos, fotos e áudios através de uma conexão à internet. Isto fez surgir entre usuários um novo tipo de agressor: o cibervalentão. Na Internet, eles encontraram uma forma diferente, com a vantagem de ser mais veloz e de longe alcance, de ofender ou difamar uns aos outros.

É o cyberbullying, apesar desse tipo de ofensa ainda não ter uma legislação vigente, o agressor pode ser processado sim, a Justiça brasileira julga da mesma forma que comentários feitos em qualquer outro lugar. E a nobre professora “defensora da educação” faz parte desse grupo seleto de cyberagressores.

Em Novo Airão todos conhecem Verinha, com exceção da agora “cyberagressora”. Com o surgimento das ferramentas tecnológicas o professor ou a professora tem que ter o olhar minucioso para os pequenos atos e breves falas de seus alunos que devem ser explorados.

Não se pode perder a oportunidade de explorar a curiosidade do aluno, para que a intervenção não seja algo doloroso que venha a inibir a criança ou o adolescente de manifestarem suas compreensões. Todos sabem que Verinha, agora adulta e com nível superior completo, continua proativa, ou seja, dona de uma habilidade de prever uma situação e agir antes de ela acontecer.

Quero recordar as observações de uma entre as educadoras mais respeitadas de Novo Airão, a professora Zuíla (in memoriam) ao ser indagada por mim sobre o que é ser professor no século XXI, ela me disse que “o professor mais atento deve oportunizar a discussão de temas que estejam contextualizados nos cotidianos deles, sempre mostrando a função desse sistema e motivando o aluno a explorá-lo”.

E ela completou afirmando que “Verinha teve um ótimo encaminhamento dos nossos melhores professores”.

*Garcia Neto é jornalista e professor

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