
Uma assessora de Flávio Bolsonaro (PL) tratou, em 2023, da liberação de emenda parlamentar do senador diretamente com um miliciano hoje condenado pelo STF por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
“Amiga, vê com o nosso senador (Flávio Bolsonaro) se consegue nos ajudar”, disse o miliciano ‘Peixe’.
Foi assim que o miliciano Robson Calixto, o “Peixe”, escreveu em março de 2024 pro contato salvo em seu celular como “Fafa Flávio Bolsonaro”. A resposta veio rápido: a assessora do senador, Maria de Fátima Bezerra Castro, pediu que ele formalizasse o pedido por e-mail e quis saber a data da próxima viagem dele a Brasília.
O miliciano conhecido como “Peixe”, foi condenado em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).
Depois desta conversa, R$ 199 mil foram parar em um projeto “Jogadores do Futuro”
O dinheiro veio de emenda de Flávio Bolsonaro (PL) pra um projeto de futebol do O projeto esportivo ligado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), “Jogadores do Futuro” que é voltado para atender crianças no bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A entidade fica numa área dominada por Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, os dois condenados como mandantes do assassinato da Vereadora Marielle. No total, a Polícia Federal calcula que o senador Flávio Bolsonaro destinou cerca de R$ 600 mil para essa mesma organização criminosa.
Ingresso para camarote
“Joinha!!! Já estou te perturbando rsrsrs… será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no camarote Arpoador?” … A frase é da assessora de Flávio Bolsonaro, endereçada ao miliciano. Investigadores classificaram esse pedido como vantagem indevida.
“Leva o deputado”
Numa cerimônia de entrega de colete pra Polícia Militar do Rio de Janeiro, a assessora chamou o assessor de Chiquinho Brazão pra cobrar Flávio Bolsonaro pessoalmente. Poucos dias depois, segundo apurou a Polícia Federal, saíram as emendas que sustentaram o que os investigadores chamam de “contratações fraudulentas” do instituto.
Penas aplicadas
Os irmãos Brazão pegaram 76 anos e 3 meses de prisão cada um. Calixto recebeu 9 anos. Já a defesa de Flávio Bolsonaro afirma que tudo foi feito dentro da lei, seguindo critério técnico do Ministério do Esporte, e que a execução do recurso é responsabilidade da entidade, não do parlamentar.
Um caso dentro do outro
Esse episódio integra uma investigação mais ampla da Polícia Federal sobre desvio de emenda parlamentar pra ONGs no Rio de Janeiro, apurando peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Calixto é um dos alvos dessa apuração.




