
Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Iranduba, anunciou que teria R$ 5 milhões para resolver definitivamente o problema do lixo no município, inclusive com a construção de um aterro sanitário em substituição ao atual lixão, batizado de “Lixão do Ferraz”, em alusão ao prefeito Augusto Ferraz.
Oito meses se passaram e as promessas não saíram do papel. Na verdade, a situação piorou. Esta semana, quando completa um mês do início do incêndio que ainda consome o depósito no Km 6 da AM-070, Iranduba vive um verdadeiro “efeito cascata” com o surgimento de vários outros lixões a céu aberto por todo o município.
Sem nenhuma ação de Ferraz, moradores denunciam que diversas áreas de matas nativas estão sendo usadas como lixeiras, inclusive pela própria prefeitura, uma vez que o ‘Lixão do Ferraz’ agora está sob a fiscalização de diversos órgãos e os R$ 5 milhões em investimentos se transformaram em R$ 15 milhões em multas ambientais.
“O prefeito não tinha e não tem projeto para resolver o problema e o resultado está aí. Fogo no lixão e muitos outros surgindo, atraindo urubus, ratos, contaminando o ar, o solo, a água, prejudicando a saúde de milhares de pessoas e ainda com risco de um novo incêndio a qualquer momento”, alertou a comerciante Maria do Socorro.
RELEMBRE O CASO DOS R$ 5 MILHÕES
A atual crise ambiental e sanitária de Iranduba remonta o dia 29 de janeiro, quando o secretário de Infraestrutura de Iranduba, Yago Brandão, divulgou informações falsas à imprensa e à população. Segundo ele, a Prefeitura e o Governo do Amazonas, em parceria com a Caixa Econômica Federal, construiriam um aterro sanitário público no município com um aporte de R$ 5 milhões. A propaganda enganosa chegou a induzir ao erro o Ministério Público do Amazonas durante inspeção técnica no local.
Dois dias depois, o então secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcellus Campêlo, desmentiu categoricamente a gestão municipal e esclareceu que a verba não era para construir um aterro, mas sim para a execução de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD), visando remediar o lixão a céu aberto que já funciona há mais de 30 anos.
Passados oito meses, o projeto de recuperação sequer foi iniciado.

EFEITO CASCATA
Enquanto o “Lixão do Ferraz” continua com focos de fumaça e fogo ativos, no Km 26 da rodovia AM-070, moradores locais emitiram um pedido de socorro diante do acúmulo acelerado de lixo na região, temendo o risco iminente de um novo incêndio de grandes proporções.
O mesmo acontece no Km 37, na área das comunidades do Ariaú e Laranjal, onde relatos e imagens divulgadas nas redes sociais apontam que, desde o início das chamas no lixão principal, caminhões e veículos de empresas particulares começaram a despejar resíduos em áreas de mata nativa, a poucos metros das residências.
A crise ambiental ganhou novos desdobramentos políticos e jurídicos na semana passada no plenário da Câmara Municipal de Iranduba, quando a vereadora Larissa Gomes apresentou uma denúncia grave contra a própria administração municipal. Com registros em vídeo, a parlamentar mostrou que a prefeitura está realizando o descarte irregular de resíduos no conjunto Dom Lopes, na área urbana do município.
A denúncia agrava o cenário de abandono ambiental, social e aponta que a gestão de Ferraz, além de omitir-se na remediação, atua diretamente na criação de novos focos de contaminação.
“Nosso município antes era conhecido pelas praias e belezas naturais, agora é chamado de “Terra do Lixão” graças ao prefeito Augusto Ferraz. Hoje Iranduba não tem condições de cuidar do próprio lixo que produz, como será nos próximos anos, com tanta gente vindo morar nestes novos condomínios? ”, questionou a moradora da comunidade Ariaú, Daniele Rocha.




