Em 20 anos, pesquisadores descobriram 23 novas espécies de animais

Nova espécie de macaco está em fase de descrição - Foto: Júlia de Freitas

Apesar de antigo destino de expedições científicas, a Amazônia é detentora de biodiversidade tão grande que novas espécies de fauna e flora são descobertas no bioma em ritmo acelerado. Conhecer a biodiversidade ainda é um dos principais desafios para elaboração de estratégias efetivas de conservação e uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia. O elevado custo em logística e o limitado número de pesquisadores em uma área de dimensões continentais são alguns dos problemas enfrentados para a obtenção de dados científicos no bioma.

Na região do Médio Solimões, Amazônia Central, desde 1999 pesquisadores do Instituto Mamirauá já coletaram e identificaram 23 novas espécies de animais e também realizaram registros inéditos de espécies conhecidas em outras regiões.

Os resultados mostram que ainda há muito para conhecer da Amazônia. “Mesmo com muitos pontos de coleta na Amazônia, quando observados os mapas destes registros, percebemos que estes estão concentrados nas margens dos grandes rios. Dessa forma, extensas áreas têm ausência total de dados amostrais”, explica o mastozoólogo e pesquisador do Instituto Mamirauá, Ivan Junqueira.

Espécies novas foram descobertas e outras tiveram área de distribuição ampliada – Foto: Júlia de Freitas

Peixes

A maior parte das descobertas foram entre os peixes da ordem Gymnotiformes, conhecidos como sarapós, com 16 novas espécies descritas. Entre os Cyprinodontiformes, pequenos peixes de água doce, foram três espécies, e na ordem dos Siluriformes, conhecidos como ‘peixes-gatos’ ou bagres, uma espécie.

O peixe ciclídeo anão, de nome científico Apistogrammoides pucallpaensis, teve confirmada sua ampliação de distribuição geográfica. Com ocorrência restrita à Colômbia e ao Peru, a espécie ornamental foi encontrada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, descoberta que resultou no primeiro registro da espécie no Brasil. Além disso, os dados obtidos permitiram novos estudos sobre a fecundidade do peixe, publicados de forma inédita por pesquisadores do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Pesquisadores realizam coletas para identificação de fauna – Foto: Leonardo Lopes

Mamíferos: nova espécie de macaco, registros de morcegos e cão raro

No grupo dos primatas, foi descoberta uma nova espécie do gênero Leontocebus: um pequeno macaco com peso que varia entre 290 a 480 gramas e pertencente à família dos Saguis ou dos Soins. A espécie está em fase de descrição e um artigo científico deve apresentar a nova descoberta.

Os pesquisadores também realizaram registros de três espécies de morcegos no estado do Amazonas: o morcego Vampyrodes caraccioli, o morcego-vampiro-de-perna-peluda (Diphylla ecaudata), conhecido por se alimentar quase exclusivamente de sangue de aves, e o morcego Cynomops planirostris, esta última descoberta destacada pelos pesquisadores pela espécie ter poucos registros no bioma amazônico.

Outro destaque de mamífero com novo registro no estado foi o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis), animal considerado raro. De difícil observação, a espécie carece de dados científicos coletados.

Outras espécies em estudo

Estudos sobre outros grupos de animais também estão sendo realizados com dados disponibilizados pelas coleções biológicas do Instituto Mamirauá e de outras instituições de pesquisa.

Uma nova espécie de sapo do gênero Boana e uma de ave do gênero Willisornis estão sendo estudadas para seguir com o processo de descrição em trabalhos conduzidos por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Museu Paraense Emilio Goeldi, respectivamente.

Leia mais informações no Mamiraua.org.br

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