
A estiagem do rio Negro tem dificultado o transporte de moradores e trabalhadores que utilizam a Marina do Davi, na Zona Oeste de Manaus. Com o recuo das águas, passageiros precisam caminhar cerca de um quilômetro pelo leito seco até as embarcações. A previsão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) indica que o rio pode atingir entre 15,90 e 16,15 metros em novembro, abaixo da cota de estiagem de 16 metros.
Além da caminhada, passageiros enfrentam o encalhe de lanchas durante o percurso devido à baixa profundidade. A redução no movimento também prejudica comerciantes e trabalhadores que dependem da circulação de pessoas na marina.
Rio Negro pode ficar abaixo de 16 metros
Dados do Porto de Manaus mostram que o rio Negro baixou 1,83 metro entre 1º e 23 de outubro, passando de 18,73 metros para 16,90 metros. Na comparação com o mesmo período de 2025, o nível está 2,72 metros mais baixo.
Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (LabClim), da UEA, a vazante pode dar lugar à subida por volta de 10 de novembro. A recuperação mais consistente é esperada para a segunda quinzena do mês, de forma gradual.
A chegada de uma onda de cheia proveniente do Peru, que já apresenta sinais de elevação em Tabatinga, pode contribuir para a recuperação do rio Negro.
Previsão indica menos chuva e mais calor
O boletim do LabClim prevê chuvas abaixo da média em outubro e novembro em áreas da bacia Amazônica, incluindo a região do rio Negro. As temperaturas devem ficar entre 1°C e 2°C acima da média, podendo chegar a 3°C em áreas entre Manaus e Parintins, em Roraima e no norte do Pará.
O cenário climático é associado à atuação do El Niño e ao aquecimento do Atlântico Tropical, fatores que influenciam as condições de chuva na região.




