
Tio Sam abre as portas: Entre derrotas eleitorais, disputas judiciais e pesquisas desfavoráveis, o país de Donald Trump ganha fama de endereço preferencial de políticos conservadores, extremistas de direitas, fascistas que preferem fazer oposição lá da terra do Tio San.
Se a política internacional continuar nesse ritmo, os Estados Unidos correm o risco de inaugurar uma nova modalidade de turismo, o exílio político com vista para a Flórida.
Hóspedes brasileiros
A lista de hóspedes brasileiros já tem nomes conhecidos. Eduardo Bolsonaro está em território americano, Alexandre Ramagem também, e Flávio Bolsonaro acaba de chegar a Miami depois de perder a disputa presidencial. A oposição brasileira, pelo visto, começa a ensaiar uma nova modalidade de trabalho remoto, que é fazer o discurso político pelas redes sociais, com endereço no exterior, mais propriamente, no risort Norte Americano.
Premier de Israel
Benjamin Netanyahu, caso venha a se confirmar a derrota eleitoral e enfrentar um revés político, pode fazer reserva para uma longa temporada americana. Seria a internacionalização do chamado plano B dos extremistas de direita. Ou seja, quando o eleitor resolve complicar a vida dos ditos extremistas em casa, eles procuram um endereço amigo no exterior.
Anfitrião em queda
O problema é que o anfitrião também tem suas preocupações. Donald Trump chega às eleições de meio de mandato de novembro sob pressão das pesquisas, com os democratas à frente na preferência genérica para o Congresso.
Se o resultado eleitoral reduzir a força republicana no Legislativo, o presidente americano poderá descobrir que até o dono do risort precisa cuidar da própria sobrevivência política.
Escapar será difícil
Washington pode até oferecer cama, mesa, palco e microfone e aliados para políticos estrangeiros em fuga, mas não tem como garantir que todos escaparão das consequências de suas disputas eleitorais ou judiciais. E, se a maré política mudar nos Estados Unidos, quem hoje procura proteção talvez tenha de descobrir onde fica a próxima sala de embarque.
Na política, o aeroporto pode ser uma saída. Mas não substitui as urnas, não apaga processos e tampouco transforma derrota em vitória.




