
A sucessão estadual no Amazonas entrou em uma verdadeira guerra de números, pesquisas e opiniões soltas ao vento
Em intervalo de apenas uma semana, pesquisas eleitorais apresentaram cenários contraditoriamente diferentes para a disputa pelo Governo do Estado, alterando não apenas os percentuais dos candidatos, mas também a noão sobre quem estaria mais próximo de garantir vaga no segundo turno.
Nesta segunda-feira (24), levantamento do Instituto Projeta colocou Omar Aziz (PSD) e Roberto Cidade (União Brasil) em empate técnico na liderança. Omar aparece com 25,72% das intenções de voto e Cidade com 24%. A diferença de apenas 1,72 ponto percentual é inferior à margem de erro de 1,79 ponto. David Almeida (Avante) tem 15,46% e Maria do Carmo (PL), 14,43%.
O retrato é bastante diferente daquele apresentado apenas sete dias antes pela DMP. No levantamento divulgado em 17 de agosto, Omar aparecia isolado com 33,7%, seguido por Maria do Carmo, David Almeida e Roberto Cidade. Nesse cenário, a vantagem de Omar sobre o segundo colocado ultrapassava 13 pontos percentuais.

A diferença chama atenção principalmente em relação a Roberto Cidade. Na DMP, o governador estava 14,9 pontos atrás de Omar. Na Projeta divulgada nesta segunda, essa distância caiu para apenas 1,72 ponto. Maria do Carmo também passa de segunda colocada numericamente na DMP, com 20,6%, para quarta na Projeta, com 14,43%.
Isso não significa, automaticamente, que uma pesquisa esteja certa e a outra errada.
Os levantamentos utilizam metodologias, amostras, períodos de coleta e formas de abordagem diferentes. A DMP entrevistou 2 mil eleitores dos 62 municípios do Amazonas, por telefone, entre 11 e 14 de agosto, e informou margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Já a Projeta ouviu 3 mil eleitores, sendo 1.590 em Manaus e 1.410 no interior, entre 17 e 21 de agosto, com margem declarada de 1,79 ponto.
Mas, para o eleitor comum, a sucessão de números tão diferentes inevitavelmente provoca uma pergunta: afinal, qual é o verdadeiro cenário da eleição no Amazonas?

Segunda vaga virou incógnita
Uma análise que cruzou seis pesquisas dos institutos Action, IPEN, DMP e Projeta, realizadas entre maio e agosto, identificou justamente essa tendência. O que muda com frequência é a disputa imediatamente abaixo, com David Almeida, Maria do Carmo e Roberto Cidade, e alternando posições.
O cenário fica ainda mais complexo quando outros institutos entram na comparação. Levantamento do Veritá divulgado no início de agosto, por exemplo, apresentou Omar Aziz e Maria do Carmo praticamente empatados, com 32,8% e 32,7% dos votos válidos, respectivamente, resultado bastante diferente de Action, Projeta e DMP naquele período.
Pesquisa não é eleição
A legislação eleitoral exige que levantamentos sejam previamente registrados na Justiça Eleitoral e apresentem informações como contratante, valor pago, metodologia, plano amostral, período de coleta, margem de erro e intervalo de confiança. O próprio TSE ressalta, porém, que não realiza controle prévio dos resultados das pesquisas, podendo atuar quando provocado por representação.
Até o momento, uma coisa parece clara: a eleição para o Governo do Amazonas permanece aberta, e o verdadeiro tamanho de cada candidatura pode estar menos definido do que algumas manchetes indicam.
No meio desse festival de percentuais, talvez a conclusão mais prudente seja também a mais óbvia: pesquisa é fotografia do momento; quem dará a palavra final será o eleitor nas urnas.




