TCEAM
Início Amazonas Fumaça de queimadas: como a poluição afeta o ar da sua casa?

Fumaça de queimadas: como a poluição afeta o ar da sua casa?

Foto: Istock/NataliaCatalina

O período de seca entre agosto e outubro de 2025 trouxe um alívio parcial em comparação aos anos anteriores, com queda de 65,8% nas áreas queimadas e de 46,4% nos focos de calor apenas no primeiro semestre, segundo dados oficiais do governo federal. No entanto, a redução não significa que o problema desapareceu.

A COP30 trouxe novos alertas sobre doenças respiratórias ligadas à poluição atmosférica, que continuam crescendo mesmo com a diminuição de focos de queimadas. Isso acontece porque a fumaça viaja quilômetros, e mesmo quem vive nos grandes centros urbanos sente os efeitos da fuligem e da poeira fina – partículas que se dispersam no ar e chegam aos pulmões.


Mesmo com a redução dos focos, mais de 423 milhões de hectares foram afetados pelo fogo em 2025. Isso mostra que a fumaça não desapareceu: apenas ficou mais invisível e talvez ainda mais perigosa.

Fuligem na janela e ar seco: como a poluição entra em casa?

O ar seco da temporada 2025 foi substituído por outro problema: a poluição residual das queimadas, somada à baixa umidade, que continua impactando o sistema respiratório de crianças, idosos e pessoas com alergias.

A fuligem é composta por material particulado fino (PM2.5): partículas tão pequenas que não são barradas pelo nariz e chegam direto aos alvéolos pulmonares, podendo causar crises de rinite, asma, falta de ar e irritação nos olhos.

O mais preocupante é que essas partículas entram facilmente em casa, mesmo com janelas quase fechadas. Em áreas mais atingidas, moradores relataram acumulação de poeira fina nos móveis e um cheiro leve de “queimado” no ar – sinal de que a fuligem está presente mesmo quando não é visível. É por isso que os especialistas em doenças respiratórias reforçam: a fumaça de queimadas precisa ser tratada como um tema de saúde pública, e não apenas ambiental.

Além disso, o ar seco dificulta a dispersão de partículas suspensas. Com menos umidade, o ar não “carrega” as partículas para longe, então elas permanecem mais tempo em suspensão e têm mais chance de serem inaladas. Esse cenário se repete em regiões urbanas como São Paulo, Brasília e Goiânia, mesmo a quilômetros de distância das áreas de queimadas.

Nesse contexto, as buscas por soluções de como melhorar o ar seco e evitar doenças respiratórias no tempo seco têm aumentado cada vez mais.

Guia prático: como melhorar a qualidade do ar interno

Existem formas simples de melhorar a qualidade do ar interno, reduzindo o impacto da fumaça e do tempo seco dentro de casa. O primeiro passo é identificar o ambiente: locais com grande incidência de poeira fina devem manter rotinas mais frequentes de limpeza úmida, evitando vassouras ou espanadores, que apenas levantam partículas.

A hidratação do corpo também é essencial: beba mais água que o habitual e aposte na lavagem nasal com solução salina: uma das formas mais recomendadas para proteger as vias respiratórias em dias de baixa umidade.

Quem vive em apartamentos próximos a avenidas, áreas verdes ou regiões em que a fuligem é perceptível deve considerar estratégias de controle ambiental. Manter as janelas fechadas pode ser necessário, e, para renovar o ambiente e combater o material particulado, um purificador de ar pode fazer a diferença.

Esses purificadores filtram partículas invisíveis de até 2,5 micrômetros, retêm pólen e reduzem irritações respiratórias, sendo especialmente úteis para crianças e idosos. Outra sugestão é colocar plantas que ajudam na umidificação e na absorção de poluentes leves na casa, como espada-de-são-jorge, lírio-da-paz e jiboia.

Ventiladores podem ser usados, mas o ideal é direcioná-los para longe das superfícies com poeira. Já o uso de baldes de água ou toalhas úmidas nos ambientes pode auxiliar a elevar a umidade local, aliviando o incômodo nas vias aéreas.

A temporada de seca expôs uma realidade antes “invisível”: o ar das nossas casas não é isolado do ar externo. Mais do que um problema ambiental, é um desafio doméstico. Cuidar do ar interno pode ser a diferença entre uma rotina saudável e semanas de mal-estar.

Artigo anteriorTabatinga enfrenta alagamentos e moradores cobram ações do poder público
Próximo artigoAcidente no Eldorado deixa trânsito lento em Manaus

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.