
O período de seca entre agosto e outubro de 2025 trouxe um alívio parcial em comparação aos anos anteriores, com queda de 65,8% nas áreas queimadas e de 46,4% nos focos de calor apenas no primeiro semestre, segundo dados oficiais do governo federal. No entanto, a redução não significa que o problema desapareceu.
A COP30 trouxe novos alertas sobre doenças respiratórias ligadas à poluição atmosférica, que continuam crescendo mesmo com a diminuição de focos de queimadas. Isso acontece porque a fumaça viaja quilômetros, e mesmo quem vive nos grandes centros urbanos sente os efeitos da fuligem e da poeira fina – partículas que se dispersam no ar e chegam aos pulmões.
Mesmo com a redução dos focos, mais de 423 milhões de hectares foram afetados pelo fogo em 2025. Isso mostra que a fumaça não desapareceu: apenas ficou mais invisível e talvez ainda mais perigosa.
Fuligem na janela e ar seco: como a poluição entra em casa?
O ar seco da temporada 2025 foi substituído por outro problema: a poluição residual das queimadas, somada à baixa umidade, que continua impactando o sistema respiratório de crianças, idosos e pessoas com alergias.
A fuligem é composta por material particulado fino (PM2.5): partículas tão pequenas que não são barradas pelo nariz e chegam direto aos alvéolos pulmonares, podendo causar crises de rinite, asma, falta de ar e irritação nos olhos.
O mais preocupante é que essas partículas entram facilmente em casa, mesmo com janelas quase fechadas. Em áreas mais atingidas, moradores relataram acumulação de poeira fina nos móveis e um cheiro leve de “queimado” no ar – sinal de que a fuligem está presente mesmo quando não é visível. É por isso que os especialistas em doenças respiratórias reforçam: a fumaça de queimadas precisa ser tratada como um tema de saúde pública, e não apenas ambiental.
Além disso, o ar seco dificulta a dispersão de partículas suspensas. Com menos umidade, o ar não “carrega” as partículas para longe, então elas permanecem mais tempo em suspensão e têm mais chance de serem inaladas. Esse cenário se repete em regiões urbanas como São Paulo, Brasília e Goiânia, mesmo a quilômetros de distância das áreas de queimadas.
Nesse contexto, as buscas por soluções de como melhorar o ar seco e evitar doenças respiratórias no tempo seco têm aumentado cada vez mais.
Guia prático: como melhorar a qualidade do ar interno
Existem formas simples de melhorar a qualidade do ar interno, reduzindo o impacto da fumaça e do tempo seco dentro de casa. O primeiro passo é identificar o ambiente: locais com grande incidência de poeira fina devem manter rotinas mais frequentes de limpeza úmida, evitando vassouras ou espanadores, que apenas levantam partículas.
A hidratação do corpo também é essencial: beba mais água que o habitual e aposte na lavagem nasal com solução salina: uma das formas mais recomendadas para proteger as vias respiratórias em dias de baixa umidade.
Quem vive em apartamentos próximos a avenidas, áreas verdes ou regiões em que a fuligem é perceptível deve considerar estratégias de controle ambiental. Manter as janelas fechadas pode ser necessário, e, para renovar o ambiente e combater o material particulado, um purificador de ar pode fazer a diferença.
Esses purificadores filtram partículas invisíveis de até 2,5 micrômetros, retêm pólen e reduzem irritações respiratórias, sendo especialmente úteis para crianças e idosos. Outra sugestão é colocar plantas que ajudam na umidificação e na absorção de poluentes leves na casa, como espada-de-são-jorge, lírio-da-paz e jiboia.
Ventiladores podem ser usados, mas o ideal é direcioná-los para longe das superfícies com poeira. Já o uso de baldes de água ou toalhas úmidas nos ambientes pode auxiliar a elevar a umidade local, aliviando o incômodo nas vias aéreas.
A temporada de seca expôs uma realidade antes “invisível”: o ar das nossas casas não é isolado do ar externo. Mais do que um problema ambiental, é um desafio doméstico. Cuidar do ar interno pode ser a diferença entre uma rotina saudável e semanas de mal-estar.




