JUNHO CHEGOU EM MAIO! – Por José Ribamar Mitoso


 

Seleção Show de Bola
Seleção Show de Bola?

Eu não sei de qual lugar social no mundo outros observadores percebem as Manifestações de Junho de 2013.

No ano passado, uns se refugiaram na arquibancada, outros nas declarações de apoio, muitos no mundo dos conceitos e alguns em preconceitos rançosos de cima, de baixo, de direita e de esquerda. Teve gente que até tentou ressuscitar fantasmas! Oráculos midiáticos do capitalista chegaram a assumir sua bipolaridade psicológica: em um dia chamaram os manifestantes de “demônios”, para, no dia seguinte, quando os carros de suas emissoras queimaram no “fogo dos infernos”, eles transformarem os “capetinhas” em anjos da cidadania. Dei gargalhadas! No mesmo período, li declarações de apoio de todos os

Movimento de massas, nas capitais são, muito raros nos dias atuais , porém corretos e urgentes!
Movimento de massas nas capitais são muito raros nos dias atuais porém, corretos e urgentes!

Empurradas pelo movimento de massas, todas as centrais divulgaram uma pauta sindical unitária, de luta, muito rara nos dias atuais , porém correta e urgente! Foram muitos os lugares sociais dos discursos e os interesses neles embutidos. Trazendo para o presente e em uma metáfora futebolística: uns observam das cadeiras numeradas, outros da arquibancada , outros das gerais. Meu lugar é no campo, jogando, desde menino , aliás, no Atlético Rio Negro Clube, e desde 1980, aos 17 anos, quando entrei para um partido revolucionário clandestino.

Quero dizer: o lugar no mundo do qual percebi e percebo as Manifestações de Junho é o olho do furacão. No dia vinte de junho de 2013, na Manifestação de Manaus, estive no Relógio da Praça da Igreja Matriz, no centro da Baricéia, participando das decisões e negociando com as forças repressivas para evitar truculências. Lá era o olho do furação.

Encontrei antigos e jovens militantes sinceros dos movimentos sociais e tive a honra de partilhar a saudável companhia dos meus amigos da Associação de Ateus e Agnósticos. Porém, mesmo assim, apesar de tudo, Nossa Senhora da Conceição , padroeira da cidade, é testemunha que ajudei a montar a Bouina de duzentas mil pessoas . E esta Cobra Grande atravessou Manaus, numa viagem mística e histórica , inspirada na mitologia ancestral da tradição Aruak. Segui no rastro Bui-Açu! Então, eu vi jovens anticapitalistas reivindicando a redução do preço do X – Salada! Outros, implorando para que a Banda Calypso não se extinguisse , apoiando a volta do casal Chimbinha e Joelma.

O Clube dos Cornos expôs uma faixa exigindo a regulamentação da quantidade permitida de traições mensais. Estudantes, com roupas negras, queriam a abertura imediata das planilhas das empresas de transportes coletivos. Eram os Militantes do Movimento Passe-Livre, fundadores da primavera brasileira, lutando pelo pleno direito de ir e vir! Vi de tudo , inclusive, em um momento de náusea, vi truculentos brucutus de empresas de segurança privada, contratados pelo poder, provocando e agredindo os cidadãos brasileiros.

A direita mostrou a unha, mas continuou disfarçada! Do próprio movimento de massa, contudo, quatro reivindicações emergiram como ponto de unidade: 1) Abertura das planilhas das empresas de transportes coletivos; 2) Congelamento do preço da cesta-básica por cinco anos ; 3) Anistia de todas as dívidas de até cinqüenta mil que, por ventura, a população trabalhadora tenha com instituições públicas e privadas e 4) Redução dos juros bancários a um nível que não ameace a cidadania e a soberania nacional! O governo federal, os governos dos Estados e municípios, os poderes públicos e os aparelhos repressivos pediram uma trégua. Ela , de algum modo , foi concedida. O movimento deu um tempo e esperou resultados. Imediatamente, porém, o discurso de uma urgente reforma política, plebiscitária, substituiu o medo de tocar nos interesses mesquinhos dos banqueiros, das empresas de transportes coletivos e dos atravessadores monopolistas de alimentos.

O bolso do povo trabalhador, de junho de 2013 à maio de 2014, continuou pagando a conta ! Mas a culpa não está concentrada em nenhum governo, em nenhuma esfera de poder e em nenhum partido. A história do Brasil não começou em junho de 2013! A culpa não existe! Todos nós temos responsabilidades. Os cidadãos, os governos, o Estado , o mercado…Todos!

Na verdade , a maior culpa é a minha , que fico pensando besteira. Inclusive, a minha culpa é a maior de todas, que é a culpa de ser escritor. E culpa de olhar o mundo pelo ângulo que desejar! Este Junho chegou em Maio. Chegou antes da copa! Cadê o Plebiscito? Cadê o congelamento do preço da cesta-básica ? Cadê a abertura das planilhas das empresas de transportes coletivos? Os juros bancário baixaram? A culpa é do meu ponto de vista? Quem pode me suprimir o direito de escrever? O Brasil será hexacampeão? O Neymar será o melhor jogador da copa ? Viva a Democracia!
*José Ribamar Mitoso Escritor, Dramaturgo e Professor da UFAM

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