Lições da Pandemia – por José Rosha

Jornalista José Rosha do movimento sindical e indigenista - foto: divulgação

A classe trabalhadora brasileira, em particular do Amazonas, precisa entender o que está acontecendo no mundo todo como consequência da pandemia do Covid-19 e refletir sobre conceitos que tem se popularizado ultimamente como solução para seus problemas.

Há pelo menos duas questões centrais que afloram em virtude da pandemia. Primeiro, fica escancarada a brutal desigualdade econômica. Segundo, a ideia de retirar do estado a obrigação da prestação dos serviços essenciais para que sejam explorados pela iniciativa privada está mostrando o quão desumano isso pode se tornar.

Em relação à concentração de riqueza, temos que considerar inconcebível que apenas oito (OITO!) homens detenham riqueza igual a soma do que possuem outros 100 milhões de brasileiros.

É inaceitável que um jogador de futebol ganhe milhões de reais, ao passo que uma mãe ou pai de família passe mais de oito horas numa linha de montagem em uma fábrica do Polo Industrial de Manaus (PIM) para ganhar, em média, pouco mais de um salário mínimo.

Esse um por cento da sociedade que detém mais de 50 por cento da riqueza nada produz, efetivamente. Eles vivem de rentabilidade, enquanto a maioria se debate, ora para conseguir emprego (são mais de 13 milhões de brasileiras e brasileiros desempregados), ora para sobreviver com um ganho mensal irrisório, que está longe de atender às determinações constitucionais (Artigo 7º, inciso VI, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, garantiu aos trabalhadores urbanos e rurais um salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, etc).

Entre parlamentares, cientistas políticos, jornalistas, economistas e outros vem se discutindo a taxação de grandes fortunas como alternativa para combater a desigualdade. Seria, sem dúvida, um passo muito importante.

Mas, para além dessa proposta, alternativa seria limitar o tamanho da riqueza individual, valorizar os profissionais de todas as áreas e manter fundos especiais para enfrentamento de crises da magnitude da pandemia do Covid-19.

Isso remete a outra questão. A ideia do estado mínimo, como defendido pelos neoliberais, não se sustenta diante de situações como a que a humanidade vive hoje.

Para manter o equilíbrio da economia e atender a todos, sem distinguir classe social ou qualquer outra diferença, somente o estado forte, com recursos para administrar serviços essenciais (saúde, educação, moradia, alimentação, etc.), vai possibilitar ações para evitar impactos em momentos de catástrofe de qualquer natureza.

Essas medidas estão sendo vislumbradas em todo o mundo como lições da pandemia.

*José Rosha é jornalista, indigenista e colunista no movimento trabalhista do Amazonas

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