Lobistas – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Ora sinistros, ora agradáveis. Algumas vezes, donos de visões de conjuntura política surpreendentemente aguçadas. Outras vezes, irritantemente rasteiros e rasos nas avaliações de cenários. Perigosamente espertos, sempre. Assim são os lobistas que grassam em Brasília. Adoram passear pelos salões verde e azul do Congresso, não rejeitam convites para beber aquelas xicarazinhas de café com gosto de mate que são servidas nos gabinetes parlamentares e sabem adular como poucos as secretárias da Esplanada.

Consideram verdadeiros troféus os convites para cerimônias encenadas no Palácio do Planalto — posse de ministros, entrega de prêmios etc. Seres esquisitos, movimentam-se nas sombras do submundo brasiliense e nutrem-se de escuridão. Expostos à luz, definham. Existem vistosos lobistas do mercado de informações da capital da República.

Posto sob o foco dos holofotes por um inquérito aberto no Ministério Público e investigados pela Polícia Federal, derretem como um gremlin saído da prancheta genial de Steven Spielberg. Vão terminar se transformando numa gelatina gosmenta, mas ainda tem alguma vitalidade e quer usá-la para o mal. Como os monstrinhos do cinema, eles têm potencial para infernizar a vida de muita gente. Infernizarão. No momento, seus alvos estão direcionados para o Ministério da Saúde. Podem, porém, discorrer sobre as plantações de pepinos e abacaxis das mais variadas áreas do governo federal — da compra de aviões pela Força Aérea à liberação de créditos na Caixa Econômica Federal. Das relações do Executivo com o Legislativo à vida privada de juízes e ministros de tribunais superiores. De motosserras na Amazônia à estratégia de apuração dos muitos — e bons — jornalistas da cidade.

É bom e salutar que um lobista esteja sendo subjugado pelas luzes. É ingenuidade achar que são poucos a atuar em Brasília, mas certamente descobriram que os tempos mudaram e a artilharia usada nos tempos da república de Alagoas e da república do pão de queijo é ineficaz nos dias de hoje. Não porque vivemos sob uma inequívoca transparência, mas porque os códigos e endereços mudaram. Para quem cruzou caminhos com algum deles é arriscado desprezar suas anotações e gravações. Para quem deseja mudar práticas e costumes de Brasília, urge jogar fachos de luz sobre os porões onde vivem outros lobistas. Ainda bem que a realidade dos fatos é mais forte do que a tentativa de manipulá-los. Não fosse isso, a falácia oficial talvez conseguisse impor à opinião pública a versão da realidade que mais lhe apraz. O que resta é que o povo começa a ter o discernimento sobre quem são as pessoas moralmente escorregadias e indignas de confiança. Está mais do que na hora de pela lógica da moral, banirmos os fanfarrões e os velhacos.

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