Lula da Silva, nefasto e incendiário (Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo (AM)
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Tancredo Neves dizia que somente se chega à Presidência da República cumprindo um destino, já traçado por uma sequência de fatos inevitáveis. O notável político mineiro, dos mais hábeis e talentosos de seu tempo, cuja mineirice tornou-se lendária, alcançou a grande meta, mas terminou não desempenhando a função, como vítima da mesma fatalidade que o conduziu ao cargo.
Há no conceito forte reflexão sobre a importância da missão, reservada a poucos, como destinação maior, em qualquer lugar do mundo. Quem sobe ao pódio do poder presidencial, dele jamais descerá sem agregar à sua biografia uma carga imensa de responsabilidade, perante a Nação e a história de seu povo.

Esta é a regra, obedecida por quem tem visão de estadista ou pelo menos alguma noção e respeito pela cadeira que ocupou. Sai da Presidência e mantém-se reservado e cauteloso, especialmente em relação às questões de Estado, quando em jogo interesses relevantes da nacionalidade. Há que se ter comedimento, ponderação no tocante à avaliação de situações críticas e procedimento discreto. É assim que se comportam, na forma do costume, os ex-presidentes estadunidenses e europeus.

No Brasil, segue-se a regra, embora com alguns atropelos. Getúlio Vargas recolheu-se ao exílio e ao mutismo em São Borja, nas estâncias de propriedade de sua família, Itu e Santos Reis, até a famosa entrevista concedida a Samuel Wainer, em 1949, com a qual preparou o caminho para reintroduzir-se no poder em 1950. Fernando Henrique Cardoso, educado e culto, mantinha-se discreto, mas foi obrigado a entrar na liça, diante das diatribes do lulopetismo. Foi compelido a defender sua gestão presidencial, ainda assim, com a elegância de estadista.

O metalúrgico Lula da Silva é no contexto a exceção consagrada, absoluta, obstinado no monopólio da estupidez. Mete a colher de pau em tudo, fala o que não deve e emite opiniões sobre o que desconhece. Aventura-se sempre e vai além do elogio da ignorância, que não se cansa de propalar, fruto de deficiências pessoais irremovíveis. É um desfile de equívocos, uma personalidade em contradições permanentes. Ora se diz envergonhado e traído pelo Mensalão, para em seguida sustentar a inexistência do esquema corrupto; ora pretende justificar o gigantesco escândalo da Petrobras, como pequena craca, sem nenhuma importância, enquanto a estatal mergulha no rebaixamento de sua nota de crédito pela agência Moody’s, com graves reflexos no plano internacional.

Pisoteando sobre suas responsabilidades de ex-presidente com dois mandatos, o metalúrgico prega a revolta, a guerra civil, o confronto físico entre a militância enraivecida do lulopetismo e os grupos sociais e partidos de oposição. E, na esteira do discurso enlouquecido, seguem os áulicos lulodependentes do PT, narcotizados sob sua liderança, do tipo Rui Falcão e caterva.

Em encontro promovido pelo braço sindical do PT, a pretexto de defender a Petrobrás, realizado na ABI – Associação Brasileira de Imprensa, Lula prometeu incendiar o Brasil. Ameaçou colocar nas ruas o “exército” do notório João Pedro Stédile, líder alucinado do conhecido MST, que já invadiu centenas de fazendas e destruiu laboratórios de pesquisa. E a turba, cega e obediente à voz de comando do chefe, logo parte para a violência, como ocorreu em frente à sede da ABI, onde grupos vestidos com a camisa vermelha do PT atacaram manifestantes pacíficos que pediam o impeachment de Dilma. Na mesma linha de submissão completa ao grande guru, Washington Quaquá, presidente do PT fluminense, vai direto ao ponto e defende de público “porrada nos burguesinhos” adversários de seu partido.

É demais, convenhamos. E Lula, já de coquetel molotov nas mãos, segue lépido e fagueiro para Brasília. Lá, assume o governo, reúne-se com parlamentares do PT e senadores do PMDB e dá as ordens. Com ou sem delegação da presidente, pouco importa, afinal trata-se de uma pupila que retirou do nada, diz o que deve e será feito, instituindo inadmissível poder paralelo. Avança, reconhece todos os erros de articulação política do governo e assegura participação do vice-presidente Michel Temer no núcleo duro das decisões palacianas. Promete recomposição imediata com o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que acaba de premiar esposas e maridos de parlamentares com passagens rotineiras de ida e volta a Brasília. Um escárnio, um acinte, uma bofetada na cara da sociedade que paga a conta, em meio à crise profunda que atola o país, tudo em sintonia com o que há de pior na representação fisiológica do Congresso.

Lula da Silva, nefasto e incendiário, já de olho em sua candidatura em 2018, não usa de meias palavras. Ou supera as enormes dificuldades do governo Dilma, naufragado na desastrada incompetência, e vence a crise, ou vira a mesa e leva o país ao abismo da conflagração civil, espelhando-se na Venezuela de Chavez e Maduro, um caminho de consequências trágicas.( Paulo Figueiredo é advogado, escritor e comentarista político – [email protected])

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