MT: Polícia Federal prende 20 pessoas na operação ‘Terra Prometida’

PF cumpre mandado de busca e apreensão/Foto: Reprodução

PF cumpre mandado de busca e apreensão/Foto: Reprodução
PF cumpre mandado de busca e apreensão/Foto: Reprodução

Empresários, produtores rurais, vereadores e outros políticos foram presos hoje, quinta-feira (27), durante a operação Terra Prometida. Dos 52 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal de Diamantino, a 209 km de Cuiabá, 20 haviam sido cumpridos pela Polícia Federal até as 14h30 [15h30 no horário de Brasília], como informou a PF. Entre os alvos da operação estão dois irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, que não haviam sido localizados pela polícia. Há mandados de prisão preventiva decretados contra os dois.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde, contra fraudes na concessão de terras da União a grande produtores rurais e empresários. A fraude com o esquema chega a R$ 1 bilhão, de acordo com a PF.

Em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

Entre os presos, estão o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz, além do vice-prefeito Rui Schenkel e de dois vereadores de Itanhangá. O filho de um produtor rural desse município também foi detido. Dos oito mandados de prisão contra servidores públicos, um foi cumprido em Cuiabá contra um funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão ligado ao Ministério de Desenvolvimento Agrário.

Os policiais foram até as residências dos irmãos de Neri Geller, Odair – em Lucas do Rio Verde – e Milton Geller, em Nova Mutum, porém, eles não estavam. Da casa de Odair, foram levados documentos. Ainda em Lucas do Rio Verde, a PF prendeu Edu Pascoski, membro da diretoria do Luverdense.

O G1 ainda não conseguiu os contatos dos advogados de Odair e de Milton Geller. A assessoria do Ministério da Agricultura ressaltou que Neri Geller não é alvo da operação. A advogada de Marino Franz também não quis se manifestar sobre o assunto.

A assessoria do Ministério da Agricultura informou que o titular da pasta, Neri Geller, não é alvo das investigações da Polícia Federal. Alegou ainda que o ministro está nos Emirados Árabes Unidos e ainda não tomou conhecimento da operação policial.

Investigações identificaram irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária. A estimativa da PF é de que 80 fazendeiros tenham ocupado cerca de mil lotes da União. Um deles teria obtido 55 lotes e regularizado essas áreas com o apoio de servidores do Incra.

Segundo a PF, a organização atua fortemente nas regiões de Lucas do Rio Verde e Itanhangá, a 360 e 447 km da capital, em crimes de invasão de terras da União e contra o meio ambiente. Fazendeiros, empresários e grupos ligados ao agronegócio usam da influência e poder econômico para aliciar, coagir e ameaçar outros pessoas para obter lotes.

Para a manutenção do comércio ilegal de terras da reforma agrária, a quadrilha teria usado documentos falsos, feito vistorias simuladas, fraudado termos de desistência e até mesmo inserido dados falsos no sistema de informações de Projetos de Reforma Agrária do Incra, permitindo que latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.(G1)

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