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Mulheres lideram nova geração de negócios da sociobiodiversidade na Amazônia

Mulheres indígenas realizam o beneficiamento de matérias-primas da floresta - Foto: André+Carioba

A produção de fitoterápicos indígenas, biocosméticos e produtos derivados da sociobiodiversidade ganha força em diferentes territórios da Amazônia por meio de iniciativas lideradas por mulheres. Projetos apoiados pelo Fundo LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, ampliam estruturas de beneficiamento, fortalecem organizações comunitárias e criam novas oportunidades econômicas a partir de conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

“Os projetos apoiados mostram que a sociobiodiversidade também é construída a partir do conhecimento acumulado pelas mulheres ao longo de gerações. Elas estão à frente de iniciativas que fortalecem a medicina tradicional, ampliam a produção de biocosméticos e criam novas oportunidades de renda nos territórios. São soluções que unem conservação, cultura e desenvolvimento local”, afirma Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA.


As iniciativas fazem parte do ciclo 2025-2026 do Fundo LIRA, que apoia 53 projetos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, distribuídas por sete estados, com investimentos de aproximadamente R$ 7 milhões.
Entre os projetos apoiados estão iniciativas lideradas por mulheres indígenas, extrativistas e rurais que atuam em mais de 60 comunidades e aldeias amazônicas. As ações envolvem diretamente mais de 1,2 mil pessoas e abrangem desde a preservação da medicina tradicional indígena até a produção de fitoterápicos, óleos e biocosméticos.

Um dos exemplos está na Terra Indígena Caititu, no sul do Amazonas. A Associação dos Produtores Indígenas da Terra Indígena Caititu (APITC) reúne o grupo de mulheres Pupykary, formado por mulheres Apurinã de dez aldeias que atuam na preservação e no uso de plantas medicinais. Com apoio do Fundo LIRA, está sendo estruturada uma unidade de beneficiamento e conservação de ervas, além da implantação de nove canteiros medicinais e da realização de atividades voltadas à troca de conhecimentos entre mulheres, jovens, anciãos e agentes de saúde. A iniciativa beneficia diretamente 58 indígenas e busca fortalecer a medicina tradicional e a transmissão desses conhecimentos para as novas gerações.

“As mulheres Apurinã são as principais guardiãs dos conhecimentos sobre as plantas medicinais. São saberes transmitidos pelas ancestrais e compartilhados com as novas gerações”, afirma Regina, da APITC. Segundo ela, o projeto ampliou a participação das mulheres, fortaleceu a troca de conhecimentos entre as aldeias e trouxe mais visibilidade para o trabalho desenvolvido pelas indígenas.

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