
A Pesca com Botos, prática tradicional de cooperação entre humanos e cetáceos, foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Iphan. Homens e mulheres aguardam nos estuários enquanto os botos indicam os cardumes, um pacto que une conhecimento humano e instinto animal.
O registro, incluído no Livro dos Saberes, valoriza saberes transmitidos entre gerações e reconhece a dimensão social, ambiental e simbólica da atividade. Segundo o Iphan, a prática amplia o patrimônio cultural além do humano, refletindo novas formas de convivência entre espécies.
Cada boto tem nome e história, e a morte de um deles abala a comunidade. O pescador Reinaldo Florentino alerta: “Se não protegermos o habitat, daqui a seis anos só restarão fotos.” A IUCN reclassificou o boto-de-Lahille, espécie envolvida na pesca, como em perigo de extinção, com cerca de 330 indivíduos restantes.
A pesca ocorre entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente na foz do Rio Tramandaí e no Complexo Lagunar Sul. Durante maio a julho, pescadores seguem os sinais dos botos, que direcionam os cardumes, combinando técnica, conhecimento local e respeito à natureza.




