
“Como é que um candidato que é contra a Zona Franca em Manaus, contra os direitos dos trabalhadores, que vai privatizar a Saúde, as Universidades, as escolas públicas, a farmácia popular e aumentar para 70 anos a contribuição para a aposentadoria, tem o voto da classe trabalhadora?, questiona o presidente dos metalúrgicos.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, lamenta o voto do operários manauara do Distrito Industrial em Manaus no candidato extremista de direita, Flávio Bolsonaro (PL) e, alerta para os riscos da perda de conquistas históricas da categoria. “Os manauaras estão virando chacota em todo o Brasil”, disse ao lembrar os comentários em redes sosciais por todo o País.
A declaração contundente sobre o comportamento eleitoral de parte dos trabalhadores do Distrito Industrial de Manaus estão relacionadas aos índices de votação atribuídos a Flávio Bolsonaro (PL). O dirigente sindical afirmou lamentar que pelo menos 40% dos trabalhadores apoiem um projeto político que, na sua avaliação, é contra os próprios interesses da classe trabalhadora.

Masoquistas
“Gostam de sofrer. São masoquistas”, resumiu Valdemir. Para o sindicalista, é difícil compreender que trabalhadores que dependem diretamente do emprego formal, dos salários e dos benefícios conquistados por meio da organização sindical apoiem um grupo político que, segundo sua avaliação, representa ameaças às garantias sociais e às condições de vida da população do Amazonas, diretamente.
Bolsonaro a menos de 04 anos
Valdemir fundamenta sua crítica na experiência do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), há menos de 04 anos – período marcado pela pandemia de Covid-19, mortes nos hospitais, pela redução dos empregos no Distrito Industrial, por brigas para fim das políticas sociais e por mudanças na estrutura econômica em todo o País. Também muito grave foi a privatização da Refinaria Isaac Sabbá, a Reman. Essas fatos deveriam pesar na avaliação dos eleitores amazonenses.
Venda refinaria
A venda da refinaria, em 2022, provocou aumento dos preços dos combustíveis e prejuízos no abastecimento da Região Norte, aumento do preço do combustíveis nas bombas e no custo de vida do cidadão amazonense. As mortes e falta de oxigênio na pandemia também permanece como uma das feridas mais dolorosas daquele período.
Na visão de Valdemir, a lembrança de um governo bolsonarista catastrófico deveria levar os trabalhadores a refletir sobre o modelo de país que eles desejam e sobre as consequências das escolhas políticas que ele está fazendo para suas famílias.
Ganhando por hora (ou banco de horas)
Outro motivo de preocupação é a proposta de Flávio Bolsonaro de permitir que os trabalhadores sejam remunerados de acordo com as horas trabalhadas, como alternativa ao fim da escala 6×1. Esse modelo é semelhante ao “Banco de Horas”, muito combatido nos sindicatos.
É justamente nesse ponto que o movimento sindical identifica um risco: quando a renda depende das horas contratadas, o trabalhador pode ficar mais vulnerável às oscilações da oferta de trabalho e perdas no orçamento doméstico.
“Aproveitem o último 13º salário”, alerta o sindicalista
A declaração mais polêmica de Valdemir foi dirigida aos trabalhadores que apoiam Flávio Bolsonaro. O presidente dos Metalúrgicos aconselhou a categoria a aproveitar o décimo terceiro salário de 2026, manifestando receio de que uma eventual vitória do candidato resulte em mudanças nos direitos e benefícios trabalhistas.
É o fim
“Se o Flávio Bolsonaro ganhar as eleições, todos os benefícios, inclusive o FGTS, plano de saúde, cesta básica, creches, tíquete-alimentação, vale-transporte e seguro-desemprego serão extintos ou modificados de forma que os mais prejudicados sejam os trabalhadores”, afirmou Valdemir.
Para o sindicalismo amazonense, a discussão não deveria se limitar à preferência por um candidato ou outro, mas considerar o impacto das decisões políticas sobre quem vive do próprio trabalho.
Para finalizar, Valdemir Santana diz que no Distrito Industrial em Manaus, o trabalhador deveria estar escolhendo um projeto político capaz de ampliar suas conquistas e não correndo o risco de apoiar uma mudanças desastrosa que pode enfraquecer sua segurança economia familiar.




