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Pesquisa do ICMBio avalia impacto do abate de búfalos selvagens em Rondônia

Foto_ Reprodução_Facebook

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai iniciar uma pesquisa piloto para enfrentar os impactos ambientais causados por mais de 5 mil búfalos selvagens que se reproduzem sem controle em Rondônia. A iniciativa ocorre em meio a uma ação judicial que prevê o abate de cerca de 500 animais, equivalente a 10% do rebanho.

A presença dos búfalos, espécie exótica originária da Ásia, causa danos graves a unidades de conservação no oeste do estado, onde os animais vivem entre a Rebio Guaporé, a Resex Pedras Negras e a Refau Pau D’Óleo — região de encontro entre a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado. Introduzidos em 1953 para um projeto de produção de carne e leite que fracassou, os búfalos foram abandonados e passaram a se reproduzir livremente.


Cervo-do-pantanal — Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica
Cervo-do-pantanal – Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

Segundo o ICMBio, a espécie ameaça a biodiversidade local, incluindo animais endêmicos e o cervo-do-pantanal, considerado vulnerável à extinção. “Ou protegemos as espécies nativas ou ficamos apenas com a espécie invasora”, afirma o biólogo Wilhan Cândido.

Sem predadores naturais e com grande porte, os búfalos destroem a vegetação, compactam o solo, desviam cursos d’água e degradam áreas alagadas. O impacto já levou à morte de buritizais inteiros e favoreceu, em 2024, o primeiro incêndio severo registrado na área. A recuperação ambiental pode levar mais de 70 anos, segundo estimativas.

Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia — Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica
Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia – Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

O ICMBio afirma que o abate é, no momento, a única alternativa viável. A região é de difícil acesso, não há logística para remoção dos animais e a carne não pode ser aproveitada por falta de controle sanitário.

A pesquisa envolve três frentes: o ICMBio, responsável pela gestão e logística; a Universidade Federal de Rondônia (Unir), que analisará a sanidade dos animais; e uma empresa especializada que fará o abate de forma voluntária. O estudo vai monitorar os efeitos das carcaças no ambiente, incluindo impactos na fauna, qualidade da água e possíveis riscos às espécies nativas, com uso de câmeras e análises laboratoriais em 15% dos animais abatidos.

O estudo ocorre paralelamente a uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF), que cobra medidas urgentes para o controle da espécie. A Justiça determinou que ICMBio e Estado de Rondônia apresentem, em até três meses, um plano de erradicação baseado em critérios científicos. O MPF também pede indenização de R$ 20 milhões por danos ambientais, a ser destinada a ações de reflorestamento.

Fonte: g1

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