Polícia oferece recompensa por matadores envolvidos em mais de 180 assassinatos

Polícia identificou 6 suspeitos de assassinatos cometidos nos últimos meses - Foto: Divulgação/PC-AM

A Força-tarefa montada para investigar os mais de 180 homicídios registrados entre junho e julho deste ano, em Manaus, conseguiu identificar seis suspeitos envolvidos em parte dos crimes. O grupo, que está foragido, seria membro de uma facção criminosa. A polícia oferece recompensa por informações que levem aos homens.

A lista com as fotos, nomes e apelidos dos envolvidos foi divulgada nesta terça-feira (24), na sede da Delegacia Geral, na Zona Centro-Oeste da capital. Esta foi a primeira vez que a polícia se pronunciou sobre a série de mortes violentas registradas em Manaus.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), foram registrados 103 assassinatos durante o mês de junho e, somente no mês de julho, até o dia 23, foram 79 homicídios na capital. Somente neste final de semana, 14 assassinatos foram registrados na cidade.

As mortes seriam decorrentes de disputas entre traficantes de facções rivais.

Foram identificados:

• Kaio Wuellington Cardoso dos Santos, 25 anos, o “Mano Kaio”. Ele responde a 13 processos na Justiça por crimes como homicídio, tráfico de drogas, associação criminosa, roubo e roubo majorado;
• Alexsandro Oliveira dos Santos, 29 anos, o “Sandrinho”. Ele responde a 13 processos, já foi preso por roubo, tráfico de drogas, associação criminosa e homicídios;
• Alexandre Alves da Silva, 23 anos, o “Cagão”. Ele tem nove processos em trâmite na Justiça e já foi preso por tráfico de drogas, homicídio e associação para o tráfico;
• Johnson Alves Barbosa, 30 anos, o “Playboy”. Ele possui 22 processos em curso e já foi preso por posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas e homicídio;
• Bruno de Souza Carvalho, 31anos, o “Bruno Fiel”. Ele possui 15 processos na Justiça, foi preso por tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídio;
• Adalberto Salomão Guedes da Silva, 28 anos, o “Salomão”. Ele têm 14 processos em andamento e já foi preso por homicídio, tráfico, roubo, porte de arma de fogo e uso de documento falso.

Kaio dos Santos, Alexsandro dos Santos, Alexandre da Silva, Johnson Barbosa e Adalberto Silva são foragidos do Centro de Detenção Provisória 2 (CDPM 2). Eles saíram do presídio durante uma fuga em massa ocorrida por um túnel, em maio. Já Bruno de Souza é foragido da Justiça. Todos os procurados respondem a mais de um processo por homicídio.

Polícia identificou 6 suspeitos de assassinatos cometidos nos últimos meses – Foto: Divulgação/PC-AM

Motivação de homicídios

Ao todo, 34 delegados devem acompanhar os casos durante a Força-Tarefa, que não tem prazo para encerramento. O delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Mariolino Brito, disse que os homicídios são resultado de uma disputa pelo mercado de drogas na cidade.

“É disputa entre ‘gangues’. Droga, onde se vende mais. Os traficantes sabem onde se vende mais e disputam esse mercado. Acontece essa disputa em todos os bairros e nós estamos investigando os homicídios, que é exatamente em função dessa investigação que nós vamos levantar os motivos pelos quais estão acontecendo”, afirmou.

O secretário de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, também ressaltou que o grande registro de assassinatos tem relação com a fuga de presos do CDPM 2.

“A causa desse impacto negativo é, justamente, essa briga das facções pelo varejo do tráfico, desencadeada mais ainda pela fuga dos presos do CDPM 2. Mas já adotamos as medidas de contenção de maneira integrada e com inteligência. Vale salientar que todo o sistema de segurança tem os dados dos fugitivos e estamos fazendo as prisões”, disse.

Dos 35 presos que fugiram do CDPM 2 em maio, apenas oito foram recapturados. Um inquérito sobre a fuga do presídio está sendo conduzido pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
Sequência de execuções

Até o mês de maio, Manaus registrava a média de 70 homicídios por mês. Em junho, houve recorde de assassinatos no ano e os números saltaram para 103 casos e depois para 79 até a segunda-feira (23). No primeiro semestre, a capital registrou 436 mortes violentas, o que resulta em 515 homicídios em 2018 na capital.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) aponta que o aumento de assassinatos é consequência da guerra entre facções do Rio de janeiro e São Paulo, que disputam o comando do tráfico de drogas no Amazonas com uma facção local.

Informações da SSP apontam que, dos assassinatos registrados de janeiro a junho deste ano, 404 foram com características de execução. Investigações preliminares indicam que, pelo menos, 58% de todos os casos de homicídios têm como motivação inicial o tráfico de drogas. Das vítimas, 94,2% são do sexo masculino.

Na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), uma força tarefa montada resultou em 222 inquéritos concluídos e remetidos à Justiça. A polícia afirma que o número equivale a 93% do que foi enviado para a unidade no ano passado.

Denúncias

Denúncias que possam levar a localização e prisão dos criminosos podem ser feitas ao telefone 181 de forma sigilosa. Segundo o secretário de Inteligência, Herbert Lopes, os telefones vão funcionar 24 horas por dia.

Quem denunciar terá o sigilo da identidade garantido e, caso as informações levem à prisão, a Secretaria de Segurança Pública oferece uma compensação em dinheiro.

Fonte : G1

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