
O Projeto Terra Preta encerra neste fim de semana as atividades no Amazonas com o 3º Encontro de Cidadania Digital, em Tefé e na Terra Indígena Marajaí, em Alvarães. A iniciativa, desenvolvida pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), prepara comunidades amazônicas para a chegada das infovias, que vão levar internet de alta velocidade a mais de 45 municípios da região.
O encontro, iniciado no último dia 23, reuniu cerca de 170 jovens e educomunicadores no Centro de Estudos Superiores de Tefé da Universidade do Estado do Amazonas (CEST/UEA). Ao longo da semana, foram promovidas oficinas de comunicação popular e indígena, rádio, audiovisual e grafismo dos povos Tikuna e Kokama.
Inclusão e desafios digitais
Com o tema “As Infovias e a Construção da Amazônia Digital”, o evento discutiu o uso da tecnologia em áreas estratégicas, como:
• acesso a serviços públicos,
• telemedicina,
• geração de renda,
• combate às fake news.
A proposta é formar multiplicadores capazes de usar ferramentas digitais de forma crítica, sustentável e voltada para o fortalecimento das culturas locais. Antes de Tefé, o projeto já havia passado por Fonte Boa e Santo Antônio do Içá, onde coletivos comunitários receberam capacitação em edição audiovisual, web rádio e podcasts.
Expansão para outros estados
Até o fim do ano, o Terra Preta vai alcançar comunidades em Roraima, Amapá, Ilha do Marajó e Pará. Para a diretora de Projetos e Sustentabilidade da EAF, Patricia Abreu, os primeiros resultados mostram o impacto da iniciativa.
“Os encontros no Amazonas revelaram o grande potencial dos coletivos locais. Estamos vendo a ‘terra preta digital’ germinar, fortalecendo lideranças e promovendo a cidadania digital”, destacou.
O simbolismo da terra preta
O nome do projeto faz referência à terra preta de índio, um dos solos mais férteis do mundo, resultado do conhecimento ancestral indígena. A metáfora representa a construção de um ambiente fértil para o desenvolvimento digital na Amazônia.
“O objetivo é preparar as populações para a chegada da internet de alta qualidade pelas infovias, promovendo inclusão, renda e fortalecimento cultural”, afirmou Guilherme Gitahy, professor da UEA e idealizador do projeto.
Sobre a EAF
A EAF, criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações, é responsável pela limpeza da faixa de 3,5 GHz, essencial para o 5G, além da execução dos programas Siga Antenado e Brasil Antenado, da implantação das infovias na Amazônia e da gestão de redes privativas de comunicação do Governo Federal.




