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Projeto vai estruturar a cadeia do açaí nativo e ampliar renda em Tapauá

Foto: Reprodução

Em meio aos desafios históricos de geração de oportunidades econômicas e organização produtiva enfrentados por comunidades ribeirinhas do interior do Amazonas, uma nova iniciativa surge para transformar a realidade do açaí nativo em Tapauá, a 541 km da capital, Manaus. O Projeto Euterpe Viva foi lançado com o objetivo de estruturar a cadeia produtiva do açaí (Euterpe precatoria Mart.) na Floresta Estadual de Tapauá e promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável na região, aliado à conservação ambiental. A proposta conta com apoio da iniciativa Juntos pela Amazônia (JPA), fundo colaborativo do Grupo +Unidos (https://www.maisunidos.org/), que conecta empresas e organizações para investir em projetos estratégicos na Amazônia Legal.

Executado pela Associação Centro de Sementes Nativas do Amazonas (CSNAM), a ideia nasce diante dos desafios enfrentados pelas comunidades de Tapauá, onde o açaí é abundante e culturalmente central, mas ainda explorado de forma informal, com perdas pós-colheita, baixa agregação de valor e dependência de atravessadores. Dados do IBGE apontam que apenas 9,91% da população local está formalmente ocupada e mais da metade vive com até meio salário-mínimo por pessoa, o que reforça a importância de iniciativas que aliem geração de renda, segurança alimentar e conservação ambiental.


Foto: Reprodução

Entre as principais ações do Euterpe Viva estão o inventário e georreferenciamento de açaizais nativos, a capacitação de cerca de 40 extrativistas, com foco em mulheres e jovens, e a implantação de uma usina comunitária de beneficiamento de açaí, adequada às normas sanitárias. A expectativa é reduzir em pelo menos 30% as perdas pós-colheita e elevar em média 25% a renda das famílias diretamente envolvidas, além de inserir o “Açaí da Floresta” em mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio de uma marca comunitária.

O projeto conta com parcerias estratégicas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), integrando conhecimento técnico, ciência aplicada e saberes tradicionais. A proposta adota princípios da bioeconomia amazônica e busca consolidar um modelo de gestão comunitária autônomo e replicável, capaz de manter a floresta em pé enquanto gera oportunidades econômicas locais.

Foto: Reprodução

Para o doutor em Ciências de Florestas Tropicais e coordenador do projeto, Valdiek Menezes, a iniciativa responde a uma lacuna histórica da região. “Tapauá é uma das áreas que mais concentram a produção de açaí na Amazônia, mas essa cadeia ainda não é estruturada. Isso gera perda de valor e do potencial do produto. A partir do Euterpe Viva vamos elevar o nível de organização e tecnologia dessa cadeia que já existe, complementando a renda dos agricultores familiares e garantindo segurança alimentar para as comunidades”, afirma.

Idealizado por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores e técnicos com atuação na Amazônia, o Projeto Euterpe Viva reafirma que conservar a floresta e gerar renda não são caminhos opostos, mas complementares. Ao fortalecer o protagonismo comunitário e valorizar um dos produtos mais emblemáticos da região, a iniciativa contribui para um futuro mais sustentável para Tapauá e para a Amazônia como um todo.

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