Tefé, minha saudade!…Evangelização

Professora Raimunda Gil

Professora Raimunda Gil

Ainda lembrando as grandes realizações do incansável bispo Dom Joaquim de Lange, ressaltamos o seu empenho em prol da educação, saúde e no setor social, pois no texto anterior, registramos a sua grande obra no setor comunicação, criando a Rádio Educação Rural de Tefé, que no dia 15 de dezembro (2013) completou 50 anos de atividade: informando e  evangelizando.

Educação: Preocupado com a educação, criou o Ginásio Espírito Santo, para os rapazes, e se empenhou junto com as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria a abertura da Escola Normal Rural, para a formação de professores; reabriu a Escola Técnica da Missão; instalou escolas em Fonte-Boa e Carauari, na formação de 1º ao 5º ano (antigo primário); conseguiu, junto ao Ministério do Interior, o Campus-Avançado da Universidade Federal de Juiz de Fora, instalado em Tefé, a 13 de junho de 1969, possibilitando a formação de nível superior da maioria dos professores, dentro e fora da prelazia; assim como, conseguiu a ida da ACAR-AM, cujo escritório foi instalado em Tefé, no ano de 1970 (depois EMATER e, hoje, IDAM); instalação da Rádio Educação Rural de Tefé (15-12-1963), e, em 1964, a fundação do MEB (Movimento de Educação de Base).

Saúde: Para atender melhor os doentes da cidade e do interior, construiu o hospital São Miguel de Tefé (1968) e de Carauari.

Aqui registramos com gratidão, o trabalho incansável da querida Irmã Adonai, Franciscana Missionária de Maria, minha professora de Biologia, Anatomia e Primeiros Socorros. Com a chegada dessa abnegada religiosa, Tefé tomou um grande  impulso na Saúde e Trabalho Social.  Num dos prédios, pertencentes às Irmãs fmm., situado na Rua Getúlio Vargas, instalou um dispensário simples, mas com as condições de atender os muitos doentes que necessitavam de tratamento. E, em pouco tempo, foi arrumando camas e assim improvisou um mini-hospital. E quantas vidas foram salvas ali, e quem na cidade de Tefé não recebeu benefícios de Ir. Adonai?

Ela insistiu junto ao Bispo Dom Joaquim de Lange a construção de um hospital que foi inaugurado em 1968, com o nome de Hospital São Miguel, por ter sido construído no lugar onde fora desde 8 de março de 1941, a Capela de São Miguel, na Ermida, na Rua Marechal Deodoro.

Durante muitos anos, o Hospital de Tefé não apenas servia ao povo da cidade, mas também aos municípios vizinhos e os bons serviços prestados eram incalculáveis.

Ir. Adonai, além dos seus trabalhos no Hospital, teve a preocupação de formar bons profissionais na área de saúde, começando com a formação de agentes rurais de saúde para trabalharem em suas comunidades. Esses agentes eram escolhidos pela própria Comunidade, treinados no Hospital São Miguel, pela Ir. Adonai e depois de treinados passavam a atuar na sua comunidade, de maneira voluntária.

Lembramos ainda de alguns padres que, em épocas diferentes, foram verdadeiros enfermeiros e médicos, nos interiores mais longínquos da prelazia, salvando a vida de muita gente: Pe.Roberto van Meegern, na Missão (l946-1969); Pe. Geraldo Schaeken, em Fonte-Boa (1956-1967); Pe.João Antônio Zuidgeest, em Alvarães (1968-1976); Pe. José Lodewijks (1951-1956), Pe. José van Roy (1980-1985) e Ir. Fulgêncio (1949-1973), em Carauari.

Durante as visitas pastorais e em contatos com os padres e com o povo, Dom Joaquim ia se convencendo, cada vez mais, que sua Igreja deveria ser uma Igreja Viva, feita não somente de estruturas e construções, mas de “gente”.

Ademais o Concílio Vaticano II, do qual ele havia participado, tinha lembrado que a Igreja devia ser a “Assembleia do povo de Deus” e que nela padres ou leigos deviam sentir-se responsáveis.

A Prelazia de Tefé entrou plenamente no espírito de renovação espiritual do Concílio, fazendo a opção para a formação de comunidades eclesiais de base e a formação de agentes pastorais leigos, fortalecidas a partir das definições das reuniões de Medellín (1968) e Santarém (1970), sendo na primeira definida a ação na América Latina e, na segunda, a ação na Amazônia.

Em 1972, criou a Coordenação de Pastoral com a especial responsabilidade de assessorar as Paróquias na sua tarefa de formar as CEBs e Agentes de Pastorais. Lá deixaram relevantes trabalhos, o Pe. Teodoro van Zoggel, da Congregação dos Sagrados Corações; Ir. Lúcia Saenz fmm; Frei Martinho Simons, da Congregação de Huybergen; Dr. Raimundo Claudemir Bezerra de Queiroz; Divino de Azevedo da Silva (da Igreja Irmã de Divinópolis); Irmão Falco, falecido no dia 25 de julho de 1988; José Bezerra da Silva, falecido no dia 9 de junho de 1995; e o Pe. Domingos Rocha Ferreira.

Outras preocupações: a questão dos agricultores, apoiando a criação de cooperativas agrícolas; a formação de associações agro-pastoris para a criação de gado; escolas de marcenaria; uma serraria em Tefé (Braholco); uma Agrovila para acolher agricultores em Tefé; criação da escola de agentes de pastoral (1974); criação do plano pastoral da Prelazia de Tefé (1975), com prioridades para a organização de comunidades de bases; formação de agentes de pastoral; pastoral sacramental; pastoral da família e da juventude; criou os cursos interprelatícios entre Tefé, Coari e Alto Solimões, formando os catequistas regionais; tentou várias vezes a implantação do dízimo nas paróquias; deu muita atenção às pastorais sociais (CPT, CIMI, Pastoral Indígena e Assessoria Jurídica etc).

Na década de 70, diminuem os padres, uns voltando para sua terra natal, outros morrendo, alguns deixando o ministério para construir famílias, porém, aumentam os leigos e a prelazia caminha com bastante dinamismo.

Dom Joaquim, sentindo-se cansado, em face também de sua saúde e idade, pediu ao Papa a nomeação de outro bispo  para seu lugar.

(Raimunda Gil Schaeken – Tefeense, professora aposentada, católica praticante,membro da Associação dos Escritores do Amazonas –ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes doAmazonas – ALCEAR.)

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