
O Escândalo descoberto nas eleições municipais de 2024, tramado pelos arapongas do governo e intitulado “QG do Crime”, ficou marcado como um dos maiores escândalos políticos do Amazonas
O juiz eleitoral Otávio Augusto Ferraro determinou o arquivamento do Inquérito Policial Criminal contra o ex-secretário Marcos Apolo Muniz e outros quatro investigados no caso “QG do Crime”.
O episódio marcou um dos maiores escândalos eleitorais da história política do Amazonas, no município de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus) em 2024.
No entanto, o desfecho não encerra o cerco jurídico na esfera eleitoral. Embora o risco de prisão tenha sido afastado momentaneamente, o grupo continua sob investigação em Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) que podem resultar em cassação e inelegibilidade.
Reuniões ilícitas
O arquivamento na esfera criminal ocorreu porque o Ministério Público Eleitoral (MPE) reconheceu a ilegalidade da “prova matriz”. O vídeo que mostrava as supostas reuniões ilícitas foi gravado de forma clandestina em ambiente privado, o que fere o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema 979).
Sem essa gravação, a “árvore envenenada” do processo criminal caiu por falta de provas lícitas que sustentassem um pedido de prisão ou condenação penal.
O inquérito acaba, mas o processo segue ─ Apesar do arquivamento da Petição Criminal, o caso não está totalmente encerrado.
Dentro do controle judicial, a decisão do magistrado seguiu as novas regras do Código de Processo Penal, que exigem que o juiz verifique a legalidade do arquivamento proposto pelo Ministério Público.
Mas, na esfera cível-eleitoral, o arquivamento do inquérito criminal não impede que os mesmos fatos sejam analisados em AIJEs, em andamento no TRE-AM.
De acordo com as investigações e relatórios da PF (indiciamento de agosto de 2025), existem elementos que não dependem do vídeo “QG do Crime”:
Monitoramento: Relatórios de inteligência que apontam o uso de viaturas e agentes para monitorar o deslocamento de opositores.
Depoimentos de vítimas: Relatos de líderes comunitários e eleitores que afirmam ter sofrido ameaças de facções criminosas para votar em determinada chapa.
Documentação administrativa: Provas do uso de estruturas do Estado (como a Cosama e Secretarias) para beneficiar a candidatura, identificadas por meio de auditorias e quebras de sigilo autorizadas.
Dados estatísticos: Análise da inércia proposital de forças de segurança em bairros específicos para favorecer o domínio de grupos ligados à chapa investigada.

Os requeridos ─ O inquérito agora arquivado envolvia figuras de peso da administração estadual e local:
● Marcos Apolo Muniz de Araújo (ex-secretário de Cultura)
● Armando Silva do Valle (ex-chefe da Cosama)
● Fabrício Rogério Cyrino Barbosa (ex-secretário de Administração)
● Jackson Ribeiro dos Santos (ex-comanda da Rocam)
● Guilherme Navarro Barbosa Martins
O magistrado também determinou a retirada do sigilo do processo, uma vez que não há mais diligências pendentes, permitindo o acesso público aos detalhes da investigação que sacudiu a Ilha Tupinambarana.
A decisão






