Valentia de Bolsonaro será colocada à prova com relatório da CPI

'Choro no banheiro!? ... é o fim do mito de valentão - foto: recorte/rede sociais

“Vem aí o ataque mais severo que terá sofrido desde que assumiu. Depois do dia 19, passará a carregar nas costas o peso da acusação de que cometeu 11 crimes”, escreve o jornalista Moisés Mendes.

Se Bolsonaro é macho mesmo, mesmo que seja um macho chorão, como admitiu em evento de evangélicos na quinta-feira, terá de reagir com vigor ao relatório da CPI do Genocídio, que sai dia 19.

Chega do Bolsonaro encolhido e moderado, que trai e confunde a militância e todo o entorno, incluindo os filhos e os militares, desde a carta para Alexandre de Moraes.

A moderação do sujeito tirou até o ímpeto da oposição e contribuiu para o fracasso das manifestações de 2 de outubro, mesmo que as esquerdas não possam e não queiram admitir.

Bolsonaro, presidente da CPI Omar Aziz, e Renan Calheiros – foto: recorte/montagem

Depois da cartinha de 9 de setembro, Bolsonaro não fez nada de relevante. O que produziu de mais revelador, desde o momento em que se acovardou, foi a confissão aos evangélicos nesse encontro de quinta-feira.

Bolsonaro disse que se considera de fato um machão, mas que às vezes se esconde da mulher e vai chorar no banheiro.

Nada mais do que vem dizendo tem importância, nem a ameaça de que vai privatizar a Petrobras.

Bolsonaro já era um homem acossado. Desde a carta com o pedido de trégua a Moraes é um ex-pretendente a golpista paralisado pela arapuca do 7 de setembro na Avenida Paulista, por vários motivos.

Foi avisado pelos generais de que eles estavam cansados com seus blefes (e que nenhum deles tem condições de segurar um golpe). Assustou-se com o alcance da CPI. Foi alertado de que Alexandre de Moraes não seria parado. E se deu conta de que precisava reorganizar o repertório.

O relatório da CPI vai testar sua capacidade de reação. Vem aí o ataque mais severo que terá sofrido desde que assumiu. Depois do dia 19, passará a carregar nas costas o peso da acusação de que cometeu 11 crimes. Formalmente, passa a ser apontado como chefe de um genocídio.

O estresse será ampliado pelas acusações da CPI a ministros, auxiliares diretos, filhos, amigos e cúmplices de desatinos.

A partir da divulgação do relatório, juristas, políticos, jornalistas, palpiteiros, organismos internacionais e a torcida do Flamengo se envolverão em um debate sem fim sobre as possíveis consequências dos pedidos de indiciamento.

Não há Augusto Aras nem Michel Temer que possam salvar Bolsonaro com pedidos de perdão e manifestações de arrependimento.

Além de chorar no banheiro, espera-se que o acusado esteja preparando sua defesa. Mas ninguém imagina que a argumentação de Bolsonaro possa ser sustentada em bases jurídicas.

O que teremos, a partir do relatório de Renan Calheiros, é um Bolsonaro de novo sob estresse, por mais que tente fazer de conta que nada acontecerá.

As mais de 600 mil mortes da pandemia, a inflação, o desemprego, a miséria e a sopa de ossos não perturbam Bolsonaro. O tormento de Bolsonaro era, até aqui, a possibilidade real de ser goleado por Lula no ano que vem.

O relatório da CPI antecipa esse sofrimento. Faz com que tenha de se defender e também defender os parceiros de genocídio, a começar pela família.

A CPI já foi devastadora para a estrutura bolsonarista, dentro e fora do governo, ao expor as facções que traficavam cloroquina e vacinas e ao interromper negociatas.

Há, desde muito antes do relatório, o prejuízo financeiro imposto a pilantras flagrados momentos antes de concretizarem seus planos. Vem agora o estrago político com desdobramentos na Justiça.

A realidade de antes de 7 de setembro não existe mais. É improvável que o blefe do golpe seja requentado com o mesmo roteiro. Até as motociatas se esgotaram.

A elite empresarial não quer saber mais de conversa fiada. O posto Ipiranga do Planalto foi exposto e desmoralizado pela conta em dólares escondida num paraíso fiscal.

O centrão é cada vez mais inconfiável. Rodrigo Pacheco e Artur Lira já tratam da própria sobrevivência. E os militares não querem saber de nada que dê muito trabalho, porque desejam apenas manter o emprego até o fim do mandato.

Enquanto estiver tentando voltar ao ataque, para desviar as atenções, Bolsonaro poderá se vacinar. Assim, criará um fato e provocará controvérsias, mesmo que seja mais um recuo.

Se não der certo, que leve a turma toda – os filhos, o centrão e os generais – para chorar com ele no banheiro.

Brasil 247

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