
Imóveis rurais e assentamentos concentraram 55% da devastação entre 2023 e 2024; fiscalização reforçada reduziu avanço em terras públicas
O desmatamento na Amazônia registrou uma mudança significativa de perfil nos últimos dois anos. Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), nesta quinta-feira (5), Dia da Amazônia, apontam que 55% da supressão de vegetação entre 2023 e 2024 ocorreu em áreas privadas — imóveis rurais e assentamentos —, enquanto as terras públicas, que lideravam as estatísticas até 2022, apresentaram queda expressiva.
Segundo o levantamento, imóveis rurais responderam por 34% do desmatamento e assentamentos por 21%. Já as terras públicas – como florestas públicas não destinadas, unidades de conservação e terras indígenas – que são geridas pela União, estados ou municípios, registraram redução de 59% na devastação em 2024, comparado a 2022.
Para a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, a queda é reflexo do fortalecimento da governança ambiental e do aumento das operações de fiscalização desde 2023. “Reduzir a supressão de vegetação em terras públicas é um resultado direto da retomada das ações de comando e controle. Em áreas privadas, no entanto, a dinâmica é mais complexa, exigindo incentivos econômicos para conter a retirada legal da vegetação”, afirma.
As Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs) apresentaram a maior queda absoluta de área desmatada: 2,4 mil km² a menos em 2024, equivalente a 60% de redução frente a 2022. Assentamentos e imóveis rurais também tiveram queda de 50% (1,3 mil km²) e 36% (1,2 mil km²), respectivamente, no mesmo período. Unidades de Conservação e Áreas de Proteção Ambiental registraram as maiores reduções percentuais, 72% e 73%, enquanto terras indígenas tiveram queda de 26%.
Mesmo com o avanço das ações, 80% do desmatamento em terras públicas ainda ocorreu em áreas federais em 2024. Nas FPNDs, a devastação se concentrou nas áreas federais (69%), embora tenha havido redução de 68% nessas áreas contra apenas 2% nas estaduais.
Com esse movimento, o desmatamento bruto no bioma atingiu, em 2024, o menor patamar em nove anos — 6 mil km², uma redução de 51% em relação a 2022. De acordo com Rafaella Silvestrini, pesquisadora do IPAM, a maior efetividade da fiscalização foi decisiva. “Os órgãos de controle focaram nos pontos críticos identificados nos anos anteriores, o que reduziu a grilagem e aumentou a eficiência das operações”, explica.




