
Ações de fiscalização atingem estruturas de extração clandestina de ouro, enfrentam danos ambientais e ampliam a proteção dos territórios indígenas e ribeirinhos
O combate ao garimpo ilegal tem mobilizado operações integradas de órgãos federais em diferentes regiões do Amazonas. Com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de outras instituições, as ações buscam interromper a exploração mineral clandestina, responsabilizar os envolvidos e reduzir os impactos sobre os rios, a biodiversidade e as populações que dependem desses territórios.
Entre os resultados recentes está a Operação Hidra Dourada, realizada entre 21 e 25 de setembro de 2026, no Rio Madeira, no trecho entre os municípios de Autazes e Novo Aripuanã. A atuação conjunta da Polícia Federal e do Ibama resultou na destruição de 22 dragas e cinco embarcações de apoio. Ao todo, foram realizadas 18 ações de fiscalização, com registros de autos de infração, apreensões e termos de destruição.
Outra ação integrada ocorreu em 30 de outubro, com a Operação Aurum, na região do Alto Solimões, nas proximidades de Santa Rita do Weill, em Tabatinga. Durante a operação, equipes da Polícia Federal, da Funai e do Ibama inutilizaram oito dragas, sete estruturas do tipo motor-balsa e uma embarcação utilizada nas atividades fiscalizadas.

Proteção ambiental e direitos das comunidades
Os impactos do garimpo ilegal vão muito além da exploração irregular de ouro. A atividade provoca alterações nos leitos e nas margens dos rios, aumenta a turbidez da água, contribui para a supressão da vegetação e pode causar contaminação por mercúrio. Esses danos representam ameaças à biodiversidade, à segurança alimentar e à qualidade de vida das comunidades indígenas e ribeirinhas.
Em março de 2025, a Operação Xapiri, realizada na região de Borba, no Rio Madeira, reuniu órgãos federais e estaduais em uma ação de enfrentamento ao garimpo ilegal. A operação resultou na destruição de 23 dragas e embarcações. Conforme divulgação oficial, também foram identificados 25 trabalhadores em situação análoga à escravidão, entre eles dois menores de idade.
Já no Vale do Javari, a Operação Nidaid Isquim, iniciada em abril de 2025, teve como objetivo proteger os territórios indígenas e combater a exploração mineral clandestina no Rio Jandiatuba e em áreas próximas. O balanço inicial divulgado pela Funai registrou a inutilização de 16 dragas e maquinários.
As iniciativas evidenciam a importância da integração entre fiscalização ambiental, investigação policial, proteção territorial e defesa dos direitos humanos para enfrentar a atividade garimpeira ilegal na Amazônia.

Inteligência e responsabilização
O enfrentamento ao garimpo ilegal também exige ações de inteligência e investigação para identificar os responsáveis pelo financiamento, abastecimento, transporte e manutenção das estruturas utilizadas na exploração clandestina.
Em outubro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Navegação Paralela, com o objetivo de investigar um grupo suspeito de fornecer apoio logístico ao garimpo ilegal em rios amazônicos. No contexto das investigações, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 35 milhões.
A identificação e a responsabilização dos envolvidos são fundamentais para enfraquecer a estrutura econômica e logística que sustenta a atividade ilegal, evitando que equipamentos e estruturas destruídos durante as operações sejam simplesmente substituídos.
Atuação do Ibama no Amazonas
A fiscalização ambiental no Amazonas exige planejamento territorial, deslocamentos por longas distâncias, logística especializada e cooperação entre diferentes instituições. O trabalho envolve identificação de áreas de risco, análise técnica, fiscalização em campo e aplicação das medidas administrativas previstas na legislação ambiental.
Para o geógrafo, analista ambiental e superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, o garimpo ilegal representa uma grave ameaça não apenas ao meio ambiente, mas também à sobrevivência e aos direitos das populações tradicionais.
“O garimpo causa sérios danos às populações ribeirinhas, especialmente às comunidades indígenas que têm sido impedidas de se alimentarem de peixe devido à contaminação dos rios, oprimidas em suas culturas e expulsas dos seus territórios”, destaca.
Fiscalização e continuidade das ações
As operações representam uma resposta direta à exploração mineral clandestina, mas o enfrentamento duradouro dessa atividade depende da continuidade da fiscalização, do aprofundamento das investigações financeiras, do controle das cadeias de abastecimento e da proteção permanente das comunidades e dos territórios ameaçados.
Nesse contexto, a atuação integrada dos órgãos públicos é essencial para fortalecer a presença do Estado na Amazônia, proteger o patrimônio ambiental brasileiro e assegurar os direitos das populações indígenas e ribeirinhas.




