
A escassez de propostas concretas para os problemas que afligem a população costuma cobrir as campanhas eleitorais com uma cortina de fumaça. Quando o plano de governo silencia ou perde espaço, entra em cena a tática mais desleal do marketing político: o ataque pessoal, a provocação rasteira e a busca pelo desgaste do adversário a qualquer custo.
O mais novo capítulo dessa dinâmica envolve a candidata Professora Maria do Carmo (PL). Ao levar para as suas redes sociais o ataque da chamada “capivara” — ofensas e provocações pessoais iniciadas originalmente por seu aliado, o Sargento Salazar —, a candidata do PL abriu um perigoso e desnecessário flanco de desgaste em sua própria trajetória eleitoral.
O Desvio de Rota: Da Proposta ao Ataque Ad Hominem
A adesão da Professora Maria do Carmo ao tom de desqualificação causou forte estranhamento nos bastidores da política e entre os próprios eleitores. Em vez de utilizar o espaço valioso do horário eleitoral e das plataformas digitais para expor ideias, projetos de infraestrutura, saúde ou educação, a candidata optou por abraçar o confronto direto contra o senador Omar Aziz (PSD).
O Diagnóstico dos Bastidores: Ao trocar o debate técnico de propostas pela narrativa de “capivara”, a campanha passa ao eleitorado a nítida sensação de falta de conteúdo programático. É a máxima da política tradicional: quando não se tem o que apresentar, ataca-se quem está do outro lado.
Essa tática desleal, contudo, costuma ser uma faca de dois gumes. Além de rebaixar o nível do debate democrático, expõe a vulnerabilidade de quem prefere a polarização agressiva ao diálogo sobre os reais desafios da população.
A Virada de Mesa: Do Ataque à Recomposição Semiótica
Se a intenção da equipe do PL era acuá-lo, o tiro acabou saindo pela culatra. A assessoria de comunicação e redes sociais do senador Omar Aziz agiu com rapidez e sagacidade política. Em vez de adotar a postura defensiva ou entrar na espiral de ofensas, a equipe do senador capturou o ataque e o transformou em marca própria.
O movimento não é novo na política amazonense e remete a um dos episódios mais emblemáticos do marketing político regional:
O Precedente de Gilberto Mestrinho:
No passado, adversários tentaram pejorativamente apelidar Mestrinho de “Boto”. Com faro político apurado, o ex-governador apropriou-se do apelido, adotou a figura do animal como símbolo de carisma e astúcia, e transformou o que era uma provocação em um dos maiores ativos de sua popularidade.
A Reação de Omar Aziz: Ao abraçar o elemento do ataque nas redes digitais e ressignificá-lo com ironia e leveza, a campanha do PSD esvaziou a carga pejorativa da ofensiva de Maria do Carmo e Salazar, neutralizando a narrativa da oposição.
A DINÂMICA DA PROVOCAÇÃO
1. Ataque Inicial (Salazar / Maria do Carmo)
Focus em rótulos e “capivara” sem proposta.
2. Efeito Colateral na Campanha do PL
Estranhamento do eleitor e perda de profundidade
3. Resposta Estratégica (Omar Aziz)
Apropriação do símbolo / Neutralização da ofensa
O Vazio Democrático e o Julgamento do Eleitor
A tática de trocar o debate de ideias pela baixaria expõe as feridas abertas de um modelo eleitoral que prioriza o engajamento rápido e a controvérsia em detrimento do compromisso social. Ao tentar desconstruir a imagem do adversário com ataques pessoais, a Professora Maria do Carmo não apenas escancara a falta de propostas para apresentar, mas também assume o risco de ser punida nas urnas por um eleitorado cada vez mais cansado do espetáculo da desqualificação.
Resta saber se, na reta final do pleito, a razão e as pautas que realmente importam para o cidadão conseguirão furar a bolha da provocação rasteira.




