
Um decreto de 1925 determinou que embarcações brasileiras exibissem seus nomes pintados de forma visível nas laterais e na popa. Na Amazônia, a regra acabou dando origem a uma profissão própria: a dos abridores de letras.
Inspirados inicialmente na tipografia vitoriana, esses pintores desenvolveram um estilo regional que hoje extrapola os barcos e aparece em quadros, roupas e exposições.
Edivaldo da Cruz Brandão, o Cuca, de Igarapé-Miri, afirma ter se encantado com as cores desde a infância, o que o levou naturalmente ao ofício. Já Hidaias Dias, do Marajó, começou na escola, fazendo capas de trabalhos para colegas, e entrou no mercado aos 20 anos.
Segundo a designer e pesquisadora Fernanda Martins, que estuda o tema há mais de duas décadas, a força dessa tradição está no fato de os barcos funcionarem como galerias fluviais. Ao circular pelos rios Amazonas e Tocantins, difundem estilos e influenciam outros letristas. “Não há nada igual no Brasil”, afirma.
Fonte: g1




