AC: população teme ficar novamente isolada pelo rio Madeira

Estradas estão ruindo e população teme isolamento/Foto: Jardel Angelim

As estradas estão ruindo  e população teme isolamento/Foto: Jardel Angelim

A preocupação de acreanos e rondonienses sobre uma possível nova cheia das águas do rio Madeira, começou a aumentar neste fim de ano. Com o inverno amazônico, como é chamado o período de chuvas na região, os olhares ficam atentos para o nível das águas.

Em fevereiro deste ano, o Acre e Rondônia presenciaram a maior catástrofe da Bacia do rio Madeira da história. A enchente provocada pelo manancial deixou, principalmente, a população do Acre isolada por via terrestre do restante do País. O temor que é isso volte a ocorrer.

Apesar do receio de comerciantes e moradores do Acre, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) já informou que as previsões são de que o volume de chuvas que vai cair na região será menor do que os do período da cheia. Conforme o Coordenador da Defesa Civil do Estado do Acre, coronel Carlos Gundim, que participou de uma reunião esta semana em Rondônia com o instituto de pesquisas, dificilmente uma nova enchente vai acontecer. “O Sipam não errou nenhuma previsão com relação ao volume de chuvas que caiu sobre o rio Madeira na cheia deste ano. Eles acertaram tudo”, assegura Gundim.

Hoje, o Madeira ainda está longe de ter uma subida surpreendente. Mas isso foi bem diferente até junho deste ano, quando as águas destruíram casas, comércios e invadiu a BR-364, estrada que dá acesso ao Acre através de Rondônia. A região mais afetada, a Vila Abunã, chegou ao nível de cerca de 25 metros, no dia 30 de março. Hoje este mesmo local está em 15 metros. Mesmo assim, ao percorrer a BR é possível observar que ainda há água empossada as margens da rodovia.

A estrada onde as águas tomaram conta foram reconstruídas. Apesar disso, a chuva destruiu metade da pista da BR-364, no km 863, na semana passada, na localidade conhecida como Palmeiral. Agora veículos só trafegam em uma única mão, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, realiza a obra de aterro da erosão até a altura da pista e a recomposição do asfalto. Os serviços começaram na semana passada.

Alívio x Preocupação

Com a cheia que durou cinco meses em 2013 deixando o Acre isolado, muitos produtos faltaram nos supermercados e outros comércios. Nos postos que tinham combustível havia filas de carros querendo abastecer. Este cenário deixou Jurilandi Aragão, que é presidente da Associação Comercial do Acre (Acisa), preocupado. Ele participou da reunião esta semana, em Rondônia, e diz que ficou aliviado com os estudos e previsões apresentadas. “Essa reunião me satisfez demasiadamente. Fomos (empresários) com muitas interrogações pelos boatos que diziam que haveria uma nova catástrofe, mas ficamos satisfeitos com o que foi exposto pelos técnicos (do Sipam)”, comemora.

Aragão confessou que muitos comerciantes e grandes empresários já estavam armazenando produtos para se prevenir de um novo isolamento. “As pessoas estão com medo de isso acontecer novamente, mas elas podem ficar tranquilas”, garante.

Já a comerciante Vandecleia Pinheiro, que trabalha há 30 anos nas proximidades da balsa sobre o Madeira, em Rondônia, conta que perdeu tudo e está desconfiada das previsões. “Na semana passada o rio subiu bastante. Se isso (enchente) acontecer mais uma vez, eu vou perder tudo novamente”, reclama.

Ponte e Tráfego

Uma das queixas de quem precisa passar diariamente pela BR-364 chegando ou saindo do Acre é a balsa sobre o rio Madeira. Além de ter que pagar para atravessar o manancial de um lado ao outro, as pessoas ainda precisam esperar o percurso da embarcação, atrasando a viagem. Para acabar com este problema, está sendo construída a ponte sobre o Madeira, que, inclusive, já possui algumas colunas. Quando concluída, a obra vai aumentar o fluxo de veículos e diminuir a demora na viagem.

O caminhoneiro José Jardim passa mensalmente pela região e conta as horas para não precisar mais esperar tanto tempo para atravessar o rio. “Aqui é muito difícil. A demora é muito grande. Imagine quando estava tudo alagado, as vezes nós passávamos mais de um dia para conseguir atravessar o rio com a carreta”, conclui.(Terra)

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