
Um novo esclarecimento da Fundação Amazonprev trouxe um componente político e financeiro sensível à crise dos investimentos previdenciários no estado
Segundo a Fundação, o aporte de R$ 50 milhões realizado na compra de Letras Financeiras do Banco Master – instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central – não atingiu os fundos dos demais poderes, tendo sido retirado exclusivamente da conta do Poder Executivo, ou seja, diretamente dos recursos sob gestão do Governo do Amazonas.

Funcionalismo estadual
A informação visa acalmar os ânimos nos demais órgãos da administração estadual, mas amplia a pressão sobre o governador Wilson Lima (União Brasil), uma vez que o montante bilionário da previdência é dividido em contas segregadas.
Com isso, o rombo gerado pela liquidação do banco recai sobre o caixa que sustenta a maior parte do funcionalismo público estadual.
A gravidade do caso levou o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Jomar Fernandes, a criar um Grupo de Trabalho (GT) específico para auditar as movimentações financeiras da Amazonaprev junto ao Banco Master. O objetivo é verificar se houve negligência na análise de risco antes da aplicação dos recursos.
Em comunicado recente, o GT destacou dados técnicos que acenderam o alerta nas instituições de controle. O relatório aponta que o investimento no Banco Master representa um percentual de 3,5% do total do fundo de investimentos da Amazonaprev. Embora o número pareça pequeno à primeira vista, ele corresponde a dezenas de milhões de reais que agora estão congelados e com alto risco de perda total devido à intervenção do Banco Central.
TCE e MPC acompanha o caso
A descoberta de que o recurso saiu apenas da cota do Executivo isola a responsabilidade política da gestão estadual.
O Ministério Público de Contas (MPC) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) também acompanham o caso para apurar se os gestores da Amazonaprev ignoraram alertas de agências de classificação de risco ao optar por um banco com balanços frágeis.
Até o momento, o Governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) não detalhou o plano de contingência para repor as perdas, enquanto o Grupo de Trabalho do TJAM segue analisando as faturas e os termos dos contratos para identificar possíveis crimes de responsabilidade ou improbidade administrativa.
Tribunal de Justiça do Amazonas





