Astrônomos divulgam 1ª imagem do buraco negro no centro da Via Láctea

Primeira imagem de Sgr A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia - Foto: Colaboração EHT

Em um feito histórico, astrônomos revelaram a primeira imagem do buraco negro supermassivo que fica no centro da Via Láctea. A façanha ocorreu graças a observações de uma rede mundial de radiotelescópios, realizadas pela equipe global Event Horizon Telescope Collaboration (EHT) — a mesma que obteve o primeiro registro de todos os tempos de um buraco negro, o M87*.

O novo feito foi divulgado nesta quinta-feira (12), em coletivas de imprensa simultâneas em todo o mundo, inclusive na sede do Observatório Europeu do Sul (ESO) na Alemanha. O resultado está em seis artigos publicados no jornal científico The Astrophysical Journal Letters.

Foto: EHT Collaboration

A imagem inédita fornece evidências de que o objeto em questão é de fato um buraco negro. Cientistas já suspeitavam disso desde que observaram estrelas orbitando em torno de algo invisível, compacto e muito massivo no centro da Via Láctea. Agora eles têm finalmente um indício visual de que se trata desse buraco, conhecido como Sagitário A* (Sgr A*).

Para fotografar essa região do espaço-tempo, a equipe conectou oito observatórios de rádio em todo o planeta para formar um único telescópio virtual do “tamanho da Terra”. Com isso, os astrônomos observaram Sgr A* em várias noites em 2017, coletando dados por muitas horas seguidas, assim como ocorre com o uso de um longo tempo de exposição em uma câmera.

Entre os instrumentos utilizados pela EHT estão o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma) e o Atacama Pathfinder EXperiment (Apex), no deserto de Atacama no Chile, além do telescópio IRAM de 30 metros na Espanha e o Northern Extended Millimeter Array (Noema), na França. Os especialistas também usaram um supercomputador para combinar os dados da rede, armazenados pelo Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha.

A imagem capturada não mostra o buraco negro visível em si, porque ele é completamente escuro, mas o gás brilhante ao seu redor revela sua assinatura. Isto é, a foto nos mostra a região de sombra de seu centro, cercada por uma estrutura brilhante em forma de anel. É possível ver também a luz curvada pela gravidade do buraco, que é quatro milhões de vezes mais massivo que o Sol e está a 27 mil anos-luz de distância.

As duas primeiras imagens já tiradas de buracos negros. Foto: Colaboração EHT

“Ficamos surpresos com o quão bem o tamanho do anel estava de acordo com as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein”, conta Geoffrey Bower, cientista do projeto EHT Geoffrey Bower da Academia Sinica, em Taiwan. “Essas observações sem precedentes têm aumentado grandiosamente a nossa compreensão do que acontece no centro da nossa galáxia e oferecem novos deslumbres sobre como esses buracos negros gigantes interagem com seus arredores.”

Embora Sgr A* pareça semelhante a M87*, cuja imagem foi divulgada pelo time do EHT em 2019, o fenômeno da nossa galáxia está muito mais perto de nós, é mais de mil vezes menor e ainda é menos massivo. Ele também foi mais difícil de ser fotografado, já que o brilho e o padrão do gás ao seu redor estavam mudando rapidamente à medida que a equipe o observava.

“O gás nas proximidades dos buracos negros se move na mesma velocidade — quase tão rápido quanto a luz — em torno de Sgr A* e M87*”, explica Chi-kwan Chan, cientista do EHT. Mas enquanto o gás leva de dias a semanas para orbitar o maior M87*, no muito menor Sgr A* ele completa uma órbita em meros minutos.”

Agora que os pesquisadores têm fotos de dois buracos negros, eles começaram a usar os novos dados para testar teorias de como o gás se comporta em torno desses objetos, revelando um possível papel que isso pode ter na evolução das galáxias. “Agora podemos estudar as diferenças entre esses dois buracos negros supermassivos para obter novas pistas valiosas sobre como esse importante processo funciona”, conta Keiichi Asada, pesquisador envolvido no projeto.

Revista Galileu

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