
Presidente da Câmara de Depuados, Hugo Motta, sustenta mandatos de deputados foragidos e expõe crise institucional no Brasil
A permanência de pelo menos três deputados federais condenados ou com mandados de prisão em aberto, e foragidos da Justiça, nos quadros da Câmara dos Deputados tem gerado forte mal-estar político e acusações de conivência institucional.
Apesar da condição de foragidos e da ordem judicial, os parlamentares continuam oficialmente em exercício, com salário, verba de gabinete e direitos parlamentares garantidos.
Quem são os parlamentares em foco
Carla Zambelli (PL-SP): teve seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol após deixar o Brasil para escapar de condenação a 10 anos de prisão.
Alexandre Ramagem (PL-RJ): condenado a 16 anos de prisão por envolvimento em golpe, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado fugiu para os Estados Unidos em setembro de 2025.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP): embora licenciado por 120 dias, permanece na condição de deputado federal nos EUA desde o dia 18 de março de 2025, sem trabalhar. Há controvérsias sobre sua situação judicial, e ele faz parte do grupo apontado como “foragidos” nos levantamentos recentes.
Custo para os cofres públicos
Mesmo ausentes do país e incapazes de exercer ativamente o mandato, os três continuam gerando despesas públicas.
Estimativas recentes apontam que, juntos, custam cerca de R$ 460 mil mensais à Câmara, entre salários, verbas de gabinete e cotas parlamentares.
Em outubro de 2025, as despesas foram registradas mesmo com os três fora do Brasil. Isso evidencia que os mecanismos de suspensão automática de benefícios não foram acionados.
Resistências à cassação
Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em 2 de dezembro de 2025, foi registrado um voto favorável à manutenção do mandato da deputada Zambelli.
O episódio suscitou críticas abertas de lideranças de partidos de oposição, como o PT, cujo líder no Congresso, Lindbergh Farias, chegou a declarar que a Casa estaria “a serviço” de uma “bancada dos foragidos”.
Para críticos, a manutenção dos mandatos representa uma afronta à credibilidade da instituição e uma negação dos princípios básicos de decoro parlamentar e respeito à Justiça.
Credibilidade, impunidade e desconfiança pública
A situação agrava o sentimento de impunidade entre políticos com mandato e processos criminais. O fato de parlamentares foragidos manterem salário e privilégios, mesmo sem comparecer ao país, revela o que muitos analistas consideram uma falha grave no sistema de fiscalização e autorregulação do Congresso.
Para além do custo financeiro, há um custo simbólico alto: a manutenção desses mandatos alimenta descrédito na política e na democracia, dando a impressão de que a Justiça e o Parlamento acobertam seus próprios.
Com informação do Poder 360





