BBB, lixo cultural – Por Osíris Silva

Economista Osíris Silva (AM)

Em artigo publicado em 2015, Luís Fernando Veríssima assim “saudava” o BBB daquele ano: Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela Rede Globo, mas tudo leva a crer conseguimos chegar ao fundo do poço…

Cada nova edição desse programa representa deplorável síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à inteligência do brasileiro. Se é que temos uma…
Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização, o vilipêndio, o aviltamento do sexo.

Economista Osíris Silva (AM)

Impossível assistir a este programa ao lado de filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como chamados por seus apresentadores.

Sintetiza Veríssimo: Não tenho absolutamente nada contra preferências de gêneros. Penso que cada um faz da vida o que melhor lhe aprouver. Mas sou contra libertinagem, devassidão explícita na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a esbórnia, safadeza barata em busca de IBOPE…

O apresentador Pedro Bial trata os participantes do BBB, observa, como animais num circo. Ele sempre promete em relação a cada nova edição um “zoológico humano divertido”. Não tenho certeza se chega a ser divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Dinheiro, evidentemente. Apenas dinheiro, sem dúvida.

Se um dia o encontrar pessoalmente haverei de lhe perguntar se ele desconhece, não tem a noção elementar de que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade?

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother não é ‘um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos sobre valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração suportada por milhões de telespectadores em todo o Brasil.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana, de Drummond ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir
Assistir ao BBB é apenas e tão somente ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Penso como Luís Fernando Veríssimo. Vamos ampliar o debate? (Osíris Silva é Economista, Consultor de Empresas e Escritor – [email protected])

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