
Um relatório do Projeto Brief e do Sleeping Giants aponta que empresas como Meta e Google se tornaram estruturais na expansão de golpes digitais no Brasil. O documento critica o modelo de negócios que prioriza a monetização de anúncios antes da prevenção de fraudes, tornando o problema sistêmico.
Segundo o estudo, 33,4% da população adulta (56 milhões de pessoas) foi vítima de golpes financeiros online no último ano, com perdas que superam R$ 111 bilhões. Crimes eletrônicos cresceram de forma explosiva: em São Paulo, estelionatos digitais aumentaram 1.162% entre 2019 e 2022, e facções como PCC e Comando Vermelho já tratam golpes online como negócio, movimentando bilhões.
O relatório aponta falhas das plataformas: anúncios fraudulentos entram no ar, geram receita e só depois podem ser removidos. Até 70% dos novos anunciantes da Meta promoviam golpes ou produtos ilegais, faturando US$ 16 bilhões em 2024. Populações vulneráveis são o principal alvo, e golpes usam deepfakes, clonagem de voz e símbolos oficiais para enganar vítimas.
O estudo defende legislação mais rígida no Brasil, inspirada no Digital Services Act europeu, e ressalta que a recente decisão parcial do STF sobre o Marco Civil permite responsabilização civil das plataformas. Sem regras claras e sanções proporcionais, alertam os autores, as big techs continuam operando como “rodovias pedagiadas” para o crime digital.




