Bioeconomia e Desenvolvimento Regional – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

À oportunidade em que a ciência discute a Amazônia e as complexidades tecnológicas da bioeconomia no AMOCI-FORTEC, que se encerra nesta sexta-feira, 3, elaborei o documento  BIOECONOMIA, DESAFIOS DE PRODUZIR, PRESERVAR E DESENVOLVER  a fim de oferecer uma visão alternativa, autóctone, acerca das complexidades e potencialidades de nossos recursos agroflorestais, da bioeconomia amazônica, e, simultaneamente, contribuir para uma discussão mais aprofundada sobre a questão.

Estudos conclusivos demonstram que o desenvolvimento econômico é a chave para a proteção ambiental e conservação do bioma. A falsa dicotomia entre desenvolvimentismo e ambientalismo vem sendo gradativamente superada. Como enfatiza Becker, “a proteção já não protege mais e o desflorestamento continua. E só proteger não gera renda, trabalho e riqueza para o país. O que precisamos é produzir para preservar”. Este, efetivamente, o maior desafio do qual o governo federal vem fugindo há décadas ao permitir, exemplos, que o CBA permaneça no incômodo limbo jurídico e operacional, e que o INPA, a mais importante organização de pesquisa da Amazônia, sobreviva com um orçamento anual de R$ 50 milhões, razão pela qual seu número de pesquisadores vem se reduzindo a cada ano, enquanto dotações de algumas universidades norte-americanas alcançam a casa de bilhões de dólares anuais.

Professores e pesquisadores, cabeças privilegiadas da Academia e da pesquisa, à frente nomes como Samuel Benchimol, Djalma Batista, Alfredo Homma, Bertha Becker, Cosme Ferreira Filho, Ozório Fonseca, Adalberto Val, dentre outras, construíram e constroem, aqui mesmo na região, na universidade e centros de pesquisa, extraordinário arcabouço científico e tecnológico nos campos da bioeconomia, a exploração sustentável de nossa biodiversidade. Acervo que, todavia, muito pouco é aproveitado na formulação de soluções técnicas para uso industrial de alta performance tecnológica dirigida à produção de alimentos,  biofármacos, biocosméticos, bioengenharia, nanotecnologia, dentre outros ramos.

Segundo Deng Xiaoping, não importa a cor do gato desde que coma o rato. Deng foi o Chefe Supremo da China de 1978 e 1992, que, após a morte de Mao Tse Tung, em 1976, promoveu as reformas econômicas, a abertura ao mundo exterior e a modernização da China, tirando o país da miséria absoluta, da ignorância e do atraso, tornando-o hoje a segunda maior potência econômica mundial. Portanto, tinha plena consciência de sua visão estratégica, de como e quando o governo era instado a intervir na economia por meio de políticas públicas eficazes e tempestivas.

Convém observar, a propósito, que a Zona Franca de Manaus, instituída em 1967, é bem mais velha que a Nova China, que ousadamente se mantém, ao lado dos Estados Unidos, na vanguarda do crescimento econômico e tecnológico  sedimentado na Revolução Industrial 4.0.

Ler na íntegra:

https://portalamazonia.com/economia-na-amazonia/bioeconomia-desafios-de-produzir-preservar-e-desenvolver-falacia-da-zfm-como-fator-de-preservacao-florestal

Manaus, 3 de setembro de 2021

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