Carros de luxo são apreendidos durante a operação Blockchain Fake em Manaus

Foto: Divulgação

Cinco carros de luxo foram apreendidos em Manaus, Brasília e São Paulo na sexta-feira (26) e no sábado (27) na Operação Blockchain Fake, da Polícia Civil do Amazonas. A ação policial teve como objetivo desarticular esquemas financeiros criminosos, envolvendo criptomoedas de Bitcoin, na capital amazonense. Nenhuma pessoa foi presa.

De acordo com a polícia, um grupo que se identifica como investidor de Bitcoin – uma moeda virtual criada em 2008 – prometia lucro de 10% ao mês a pessoas interessadas em investir no negócio. Após receber dinheiro dessas pessoas, o grupo chegava a pagar os valores prometidos por até três meses, mas depois desaparecia com a quantia investida.

O delegado Denis Pinho, da Derfd (Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações), disse que esse grupo lavava dinheiro através de uma loja de veículos importados localizada no bairro Parque das Laranjeiras, zona centro-sul de Manaus. Segundo o delegado, o grupo simulava a compra de veículos de luxo dessa empresa.

“O que nos estranhou foi o grande volume de veículos comprados nessas lojas, veículos de marcas caras, como McLaren, Ferrari e Land Rover, que têm valor expressivo de mercado. A gente passou a perceber que eles tinham o hábito de usar dessa manobra. Nenhum desses veículos era colocado no nome dos suspeitos. Eles usavam o CNPJ da empresa”, disse Pinho.

O carro McLaren avaliado em R$ 2 milhões foi apreendido em Brasília e o veículo Ferrari Spider avaliado em R$ 3 milhões foi apreendido em São Paulo na sexta-feira (26). Em Manaus, neste sábado (27), os policiais apreenderam outros três carros de luxo avaliados em R$ 1 milhão (Mini Cooper JCW GP, BMW 5 e Troller) na casa do dono da loja.

Em Manaus, além dos veículos, os agentes apreenderam documentos e dinheiro (dólar, euro, peso mexicano, dólar canadense e real) em endereços de investigados, como um escritório da empresa, no bairro Ponta Negra, na zona oeste. Conforme Pinho, os policiais de São Paulo tentam localizar um suspeito que é alvo de prisão. Existem outros dois suspeitos.

“Esse sujeito que está com mandado de prisão – que a gente não vai divulgar para não atrapalhar [as investigações] – é um sujeito que fala três idiomas, muito bom de conversa, e conhece muito bem de mercado financeiro. Eles usava de várias artimanhas para tentar explicar que esse investimento rendia esse valor”, disse o delegado.

Fraude

De acordo com Pinho, a Delegacia Especializada em Roubos recebeu seis denúncias de vítimas do golpe, mas a Polícia Civil do Amazonas estima que o grupo tenha enganado pelo menos 100 pessoas na capital amazonense. Conforme o agente, as vítimas chegaram a investir entre R$ 2 milhões a R$ 5 milhões no negócio fraudulento.

“Eles se passavam como investidores de criptomoeda. Eles usavam a Blockchain, que é uma rede segura dentro da criptomoeda, para transitar os dados. Eles usavam exchange, que são empresas que investem em criptomoedas, para pegar dinheiro das vítimas – tem gente que investiu R$ 5 milhões – com a promessa de que iria lucrar 10% ao mês”, disse Pinho.

A polícia apurou que a pirâmide financeira era alimentada através do pagamento de três meses dos lucros de 10% prometidos. “Ao final, deixava essas pessoas no prejuízo. Realmente, haviam os investimentos, mas era uma forma ardilosa para eles retirarem esse dinheiro das pessoas com a promessa de retorno de 10% ao mês”, afirmou Pinho.

De acordo com o delegado, pessoas venderam imóveis para investir no negócio. “Eles vendiam um lucro exacerbado que não existia. Com isso, eles acabaram criando uma rede grande de vítimas e deixando várias pessoas em prejuízo. Pessoas chegaram a vender casa e apartamentos para jogar na mão desses criminosos”, disse o delegado.

Fonte: Direto ao Ponto

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