
O avanço da cheia no Amazonas acende o alerta para a fragilidade da infraestrutura sanitária no interior. A subida rápida dos rios compromete o abastecimento e aumenta o risco de contaminação da água consumida por populações ribeirinhas e indígenas. Segundo a Defesa Civil, 16 municípios já estão em situação de emergência.
Especialista em saneamento e gestão pública, o engenheiro civil Marcellus Campêlo afirma que o agravamento das cheias exige soluções permanentes e adaptadas à realidade amazônica. Após mais de sete anos à frente da Sedurb e da UGPE, ele defende o fortalecimento de políticas públicas voltadas à segurança hídrica e ao saneamento no Amazonas.
“Precisamos avançar em projetos sustentáveis de abastecimento de água, drenagem, tratamento de esgoto e monitoramento dos rios. A Amazônia exige soluções específicas para comunidades isoladas e municípios afetados pelas enchentes”, afirma.
Entre as iniciativas implantadas está a Microrregião de Saneamento Básico (MRSB), criada em 2025 para permitir a gestão compartilhada do saneamento entre estado e municípios, ampliando a capacidade de investimento e a meta de universalização dos serviços.
Na área de infraestrutura, programas como o Prosamin+ e o Prosai ampliaram redes de saneamento em Manaus e no interior. Em Maués, o Prosai aumentou em 50% a cobertura de esgoto e elevou a capacidade de armazenamento de água de 227 mil para 1,7 milhão de litros. Em Parintins, o programa solucionou a contaminação dos poços e iniciou a implantação da rede de esgoto.
Para Marcellus Campêlo, experiências como essas mostram a necessidade de transformar o saneamento em política permanente de estado. “O desafio não é apenas executar obras, mas integrar abastecimento, drenagem, tratamento de esgoto, monitoramento dos rios e planejamento urbano”, destaca.

Ele também defende soluções adaptadas à realidade ribeirinha, unindo engenharia, gestão ambiental e adaptação climática. “Levar água tratada e saneamento reduz doenças, melhora a qualidade de vida e impulsiona o desenvolvimento local”, afirma.
Entre outras iniciativas, Marcellus destaca o projeto Amazonas EcoLar, que utilizará resíduos plásticos reciclados na construção de 16 moradias em Manaus, e a ampliação do programa Água Boa, da Cosama, que instala filtros simplificados para tratamento de água em comunidades isoladas.
Segundo dados da Cosama e da Defesa Civil, mais de 800 sistemas já foram implantados em 55 municípios, beneficiando mais de 270 mil pessoas. As ações incluem ainda distribuição de caixas d’água, filtros domésticos e kits purificadores para cidades atingidas pelas cheias.
De 2019 a 2026, Sedurb e UGPE executaram mais de 400 obras no Amazonas, gerando mais de 200 mil empregos diretos e indiretos.




