Coronavírus deve afetar da Zona Franca de Manaus à 25 de Março

Foto: Reprodução

SÃO PAULO – Neste momento, 28 navios deveriam estar vindo da China abarrotados de mercadorias para serem entregues nos portos brasileiros, segundo monitoramento da consultoria em logística e comércio exterior Solve Shipping. Nove deles nem sequer zarparam. Os 19 que cruzam os oceanos trazem um volume muito menor de cargas.

O responsável pela lacuna é o coronavírus. Após frear viagens de negócios entre Brasil e China, o vírus começa a comprometer a logística de abastecimento de cadeias de suprimentos entre os dois países.

A projeção é que a retração na entrega de insumos industriais e produtos acabados, hoje percebida apenas por indústrias e empresas de logística, vai chegar ao consumidor final nas próximas semanas.

“Deve afetar da Zona Franca de Manaus ao comércio popular da 25 de Março e do Saara, mas só saberemos melhor a partir desta semana”, afirma Leandro Barreto, sócio da Solve Shipping. Segundo ele, 96% do comércio entre os dois países é feito por navio.

A rua 25 de Março é uma importante via de comércio popular no centro de São Paulo. O Saara é o seu equivalente no Rio de Janeiro. Ambas demandam produtos asiáticos e tendem a ser os primeiros pontos comerciais a sinalizarem falhas no abastecimento por causa do vírus que levou a paralisação de fábricas na China.

Um levantamento feito pela Folha mostra o impacto da crise do coronavírus, verificado e esperado, em alguns setores da economia, com base em análises e informações setoriais.

A China é hoje o principal mercado para produtos como soja, minério de ferro, petróleo, carnes e celulose, mas nem todas as empresas desses setores dependem exclusivamente do mercado asiático.

O país é também importante fornecedor de equipamentos, insumos industriais e bens de consumo para o Brasil, mas há empresas com diferentes níveis de estoque, além de dúvidas sobre a chegada ao país de novos produtos.

Efeitos indiretos [como problemas entre China e Europa afetarem o Brasil] podem aumentar a exposição das empresas brasileiras ao risco econômico do vírus, mas esse ainda não é o cenário principal da maioria dos economistas.

“O impacto de primeira ordem [China afetando Brasil] ainda é limitado. O problema são os impactos indiretos. E o que a gente vê, olhando historicamente, quando teve esses tipos de doenças, são efeitos mais de curto prazo do que de longo prazo”, diz Betina Roxo, analista da XP.

Veja como diferentes setores da economia podem ser afetados no Brasil: Comércio, Eletroeletrônicos, Plásticos, Viagens E Turismo, Óleo E Gás, Bancos, Agropecuária, Mineração, Papel E Celulose e Brinquedos.

Fonte: UOL

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui