[Crônica] Adolescente – Isabela Abes Casaca


Adolescente… A-dor-ele-sente…

Triste sina de quem ama, quem ter amor encoberto, se tá longe tá sofrendo, tá sofrendo estando perto. Quem tem amor encoberto, ai meu Deus, como padece, quando passe um pelo outro fingindo que não conhece.

Ah… Mas isso eram noutros tempos… Quando havia algum romance circulando no sangue dos jovens, quando havia anima e animus do sentir. Quando as canções de amor faziam sucesso nas rádios. Quando a timidez e a vergonha nos deixam ruborizados perto do ser amado…

Quando ainda se escreviam cartas de amor… ridículas. Afinal não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. Contudo, verdadeiramente, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.

E que adolescência ridiculamente ridícula está aí… Incapaz de a próprio punho redigir uma carta de amor…

Seres ocos, sem anima. Seres sem coragem, sem animus.

Adolescente… A-dor-ele-sente…

Pelo menos costumava ser assim…Ser cativado paulatinamente como uma raposa, zelar pela sua rosa caprichosa, chorar diante das memórias que o trigo dourado traz… Costumava ser assim…Hoje não, somos coleguinhas, camaradas de baladas…

Adolescente… A-dor-ele-sente…

Quando se permitia sentir alguma dor durante a adolescência…

A dor pelas mazelas do mundo, a dor pelo carinho não correspondido, a dor por um amigo perdido, a dor pelo relacionamento rompido, a dor por um coração partido, a dor vinda de sentimento infinito…

Mas hoje, quem se permite sentir alguma dor? Algum breve instante de melancolia… Quiçá um breve momento de solidão e meditação…

Não… Isso não dá ibope, não dá fama… Melhor tomar um energético e ficar frenético, histérico, pulando feito um pogobol, que existência boçal, ou seria “boLçal”…

Chega de tanta boçalidade, tanta superficialidade. Seja ridículo perante o olho dos zumbis sem coração, escreva cartas de amor, só não seja ridículo perante sua própria consciência!

Adolescente… A-dor-ele-sente…

Vamos nos permitir sentir… Sentir aquela dorzinha, aquele friozinho da barriga, no momento que vamos abrir sinceramente o coração diante do ser amado. Encarar o risco, enfrentar a incerteza. O “sim”, pode ser mais provável do que se espera.

E a sincronicidade do sentimento correspondido está pairando no ar, só esperando a gente agir…

Adolescente… A-dor-ele-sente…

Sinta a dor, pois só quem sentiu a dor reconhece o deus Amor quando fica face a face com ele.

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[author image=”http://oi59.tinypic.com/md2p28.jpg” ]Isabela Abes Casaca é graduanda em Direito e integrante do movimento Novo Ágora. Considera-se escritora amadora.[/author]

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