
Especialista orienta sobre o uso seguro de pisca-piscas, extensões e outros equipamentos elétricos durante as festas de fim de ano
Com a chegada das festas de fim de ano, residências e prédios comerciais começam a ganhar luzes e enfeites natalinos. A instalação de pisca-piscas, bonecos iluminados, guirlandas com luzes e outros itens decorativos, porém, exige cuidados para evitar acidentes provocados por sobrecargas, conexões improvisadas ou manuseio inadequado de equipamentos elétricos.
O alerta ganha importância diante dos dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Segundo o levantamento, o Brasil registrou 2.322 acidentes de origem elétrica em 2025, considerando ocorrências de diferentes naturezas ao longo do ano.
Para o professor do curso técnico em Eletrotécnica do Centro de Ensino Técnico (Centec), Roberto Dibo, engenheiro eletricista sênior, a prevenção começa antes mesmo da instalação e depende de informação e de respeito aos limites de cada pessoa.
“O Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia] orienta os consumidores a sempre verificar a identificação, a tensão e a potência das luminárias natalinas, além das informações de segurança que constam nas embalagens. Isso tudo, claro, antes da compra”, afirma ele.
Conforme as exigências do Inmetro, os pisca-piscas devem apresentar identificação do fabricante ou importador, tensão e potência máxima. Os plugues também devem seguir os padrões de segurança aplicáveis. Antes de ligar os equipamentos, é preciso verificar se há fios desencapados ou danificados e lâmpadas trincadas.
Esse conselho também vale para quem pretende aproveitar as decorações adquiridas em anos anteriores. É preciso observar as condições de cada item, mas o professor alerta que “pisca-piscas muito antigos ou danificados devem ser descartados, já que insetos e roedores costumam atingir a fiação durante o período em que as peças ficam guardadas”.
Outra recomendação é dar preferência às lâmpadas de LED, que aquecem muito menos do que as incandescentes tradicionais e ajudam a reduzir o risco de incêndio quando próximas de galhos sintéticos ou tecidos. Modelos que utilizam tecnologias obsoletas também devem ser deixados de lado.
Extensões e conexões
Nas ligações, o alerta é para o uso do “T”, conhecido como ‘benjamim’, que concentra vários aparelhos em uma única tomada e favorece sobrecargas e curtos-circuitos. O indicado é optar por filtros de linha com proteção contra sobrecarga, respeitando a capacidade elétrica dos equipamentos e da instalação.
Também é importante evitar que extensões passem por baixo de tapetes ou por locais de circulação, onde o pisoteio pode desgastar o isolamento dos fios e provocar curtos-circuitos.
Em varandas, fachadas e jardins, só devem ser usados equipamentos específicos para áreas externas, com proteção contra água e umidade. “Vivemos em uma região muito úmida e as festas de fim de ano também ocorrem no mesmo período das chuvas, por isso, é importante evitar a exposição das decorações que utilizam energia, a menos que sejam específicas para áreas externas”, alerta Roberto.
Dentro de casa, também há cuidados importantes. As luzes precisam ficar afastadas de cortinas, sofás e outros materiais inflamáveis. Em residências com crianças pequenas ou animais de estimação, vale posicionar os itens decorativos em locais mais altos, evitando que sejam manuseados sem a supervisão de um adulto.
Cuidados diários
A iluminação de Natal deve ser desligada da tomada antes de dormir ou de sair de casa. Ajustes na decoração, por sua vez, só devem ser feitos com os aparelhos desconectados e com as mãos completamente secas, nunca em circuitos energizados.
“Se houver faíscas, cheiro de queimado ou aquecimento excessivo dos fios, o disjuntor da residência deve ser desligado imediatamente, antes de qualquer tentativa de manusear os equipamentos”, afirma o engenheiro e professor.
Em casos mais graves, especialmente quando há problemas nas instalações elétricas, ele orienta a busca por um profissional qualificado. “Existem cuidados extras no manuseamento desses itens, especialmente após acidentes, então o eletricista terá maior capacidade de lidar com a situação e resolver o problema”, destaca.




